Como Brasil, França cai em ranking mundial de liberdade de imprensa

Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa  2020 ONG Repórteres sem Fronteiras, divulgado nesta terça-feira, 21 de abril de 2020.
Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa 2020 ONG Repórteres sem Fronteiras, divulgado nesta terça-feira, 21 de abril de 2020. © Twitter/@RSF_esp

A França caiu duas posições no ranking mundial de liberdade de imprensa divulgado nesta terça-feira (21) pela ONG Repórteres sem Fronteiras (RSF), devido ao crescimento da “desconfiança e da violência contra jornalistas” no país. O Brasil também perdeu duas posições na classificação de entidade que denuncia, no país, “um clima de ódio e desconfiança alimentado pelo presidente Bolsonaro”. A RSF está preocupada com o impacto da epidemia do coronavírus na liberdade de imprensa nos próximos anos.

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Na França, o ano de 2019 foi marcado “por um aumento preocupante de ataques e pressões contra jornalistas”, ressalta o relatório anual da RSF. Os profissionais de imprensa foram alvo de ameaça da polícia ou de manifestantes, principalmente durante o movimento dos "coletes amarelos" e os protestos contra a reforma da Previdência, e não puderem exercer corretamente a cobertura dos eventos.

Outra forma de pressão na França foi o número crescente de casos de intimidação judicial que visava identificar as fontes jornalísticas de escândalos revelados pela imprensa. “A independência editorial dos meios de comunicação não é suficientemente garantida por razões de conflito de interesses”, diz o texto.

O país integra o grupo onde a liberdade de imprensa é relativamente respeitada, mas passou da 32ª posição no ano passado para a 34ª este ano.

Liberdade de imprensa no Brasil se deteriora há dois anos

A eleição de Jair Bolsonaro em outubro de 2018, após uma campanha marcada por discursos de ódio, desinformação, violência contra jornalistas e desprezo pelos direitos humanos, marcou a abertura de um período especialmente sombrio para a democracia e a liberdade de imprensa”, escreve a Repórteres Sem Fronteiras. O país já era particularmente violento para a imprensa, “com dezenas de casos de jornalistas assassinados nos últimos anos”, mas a situação se deteriorou. O país caiu do 105° para o 107° lugar do ranking.

“O presidente Bolsonaro, seus parentes e vários membros do governo insultam e difamam alguns dos mais importantes profissionais e meios de comunicação do país, promovendo um clima de ódio e desconfiança do jornalismo no Brasil”, aponta o relatório. A RSF ressalta ainda a concentração da mídia no Brasil, que pertence a um pequeno grupo de grandes famílias, com frequência, próximas da classe política.

Coronavírus x liberdade de imprensa

O ranking Mundial da Liberdade de Imprensa avaliou a situação em 180 países no último ano.A classificação 2020 não leva ainda em conta o impacto da epidemia de coronavírus sobre a prática jornalística, mas os próximos dez anos serão decisivos para a liberdade de imprensa no mundo, acredita a ONG francesa.

“Os países na lanterninha do ranking aproveitam a epidemia para aplicar a ‘estratégia do choque’, teorizada por Naomie Klein, isto é, eles aproveitam a fraca mobilização do público para impor medidas que não seriam possíveis de serem adotadas normalmente”, deplora Christophe Deloire, secretário-geral da RSF. Este é o caso da China, que nesta edição 2020 ocupa o 177° lugar da classificação e do Irã, o 173° colocado (três a menos do que em 2019). Esses dois países adotaram durante a pandemia “dispositivos de censura em massa”, denuncia Deloire.

A Hungria, que perdeu duas posições este ano e ocupa o 89° lugar, também está neste grupo. O primeiro-ministro Viktor Orban votou uma lei “coronavírus” que prevê penas de até cinco anos de prisão para quem difundir falsas informações, lembra o secretário-geral da RSF. “Como será a liberdade, o pluralismo e a credibilidade da informação até 2030? A resposta a esta questão está sendo elaborada agora”, alerta Deloire.

No geral, a porcentagem de países onde a liberdade de imprensa é considerada « boa » continua a mesma do ano passado, 8%, com Noruega, Finlândia e Dinamarca, na liderança. Já a proporção de países em “situação crítica” aumentou 2% em relação a 2019, e representa agora 13% do total. Coreia do Norte, Turcomenistão e Eritreia são os piores do ranking.

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