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Despesas militares em 2019 são as mais altas desde a Guerra Fria

Estados Unidos tem maior orçamento militar, de US$ 732 bilhões, com alta de 5,3% em 2019, seguido pela China e pela Índia.
Estados Unidos tem maior orçamento militar, de US$ 732 bilhões, com alta de 5,3% em 2019, seguido pela China e pela Índia. REUTERS - Carlos Barria
Texto por: RFI
2 min

As despesas militares globais tiveram em 2019 o maior aumento em dez anos, de acordo com um relatório do Instituto Internacional de Estudos para a Paz (Sipri), divulgado nesta segunda-feira (27), em Estocolmo, na Suécia. Ao longo do ano passado, as despesas militares alcançaram US$ 1,9 trilhão em todo o mundo, o que representa um aumento de 3,6% em 12 meses, o mais expressivo desde 2010.

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"O gasto militar alcançou seu maior patamar desde o fim da Guerra Fria", alerta Nan Tian, pesquisador do Sipri. O maior orçamento continua sendo o dos Estados Unidos, que cresceu 5,3% em 2019, chegando a US$ 732 bilhões, o que corresponde a 38% do total mundial. Os norte-americanos são seguidos pela China, com US$ 261 bilhões (aumento de 5,1% em um ano), e pela Índia, com US$ 71,1 bilhões (alta de 6,8%).

O investimento militar chinês seguiu nos últimos 25 anos a curva do crescimento econômico do país. Mas esta tendência também reflete a ambição do gigante asiático de ter um "exército de classe mundial", aponta Nan Tian. "A China tem declarado abertamente que deseja competir em especial com os Estados Unidos como superpotência militar", acrescenta.

O avanço chinês também explica a evolução da Índia, como destaca o relatório do Sipri. "As tensões e a rivalidade da Índia com o Paquistão e a China são alguns dos fatores determinantes do aumento do gasto militar", revela Siemon Wezeman, outro pesquisador do instituto.

Orçamentos impactados pela Covid-19

Os cinco países que mais investem em defesa, incluindo ainda a Rússia e a Arábia Saudita, representam juntos mais de 60% do total de despesas militares. A Alemanha, sétimo país depois da França, registra o maior avanço dos 15 primeiros da lista, com um aumento de 10% em 2019 (US$ 49,3 bilhões). Isto se deve, em parte, à percepção crescente de uma possível ameaça russa, de acordo com os autores do relatório.

Embora Nan Tian sustente que "o aumento dos gastos militares tenha se acelerado nestes últimos anos", ele adverte que a tendência pode vir a se inverter por causa da pandemia do novo coronavírus, que abala a economia mundial. O mundo se encaminha para uma possível recessão e os governos terão que reconsiderar o gasto militar perante setores como o da saúde e o da educação. "É possível que isto tenha um efeito real nos gastos militares", avalia o pesquisador.

Ele explica que a história mostra, no entanto, que uma redução do orçamento militar em um contexto de crise nunca dura muito tempo. "Podemos ver uma diminuição dos gastos entre um e três anos, e um novo aumento nos anos seguintes", assinala o pesquisador do Sipri.

Com informações da AFP

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