Acessar o conteúdo principal

Tomar sol vira moda na Indonésia após fake news sobre eficácia da vitamina D contra o coronavírus

Militares tomam sol na cidade de Ambon, na Indonésia.
Militares tomam sol na cidade de Ambon, na Indonésia. INDONESIAN MILITARY/AFP
Texto por: RFI
5 min

Os indonésios nunca tomaram tanto sol. Em um país devoto à pele clara, a população tem aproveitado os raios do sol e até se bronzeado na esperança de não se contaminar com o novo coronavírus.

Publicidade

O súbito interesse por uma prática adotada apenas por turistas que visitam o país decorre de alegações consideradas infundadas até agora. Desde o início da pandemia, fake news vêm sendo propagadas sobre a eficácia da luz solar e da vitamina D que ela fornece contra a Covid-19.

Na semana passada, a esperança de que banhos de sol possam trazer resultados contra o coronavírus foram renovadas. Autoridades sanitárias americanas afirmaram, com base em uma nova pesquisa, que a luz solar – associada a outros fatores e a condições específicas – pode enfraquecer o vírus. O estudo ainda não foi avaliado de forma independente, mas o presidente americano, Donald Trump, o citou com entusiasmo durante uma conferência de imprensa.

Raios de sol podem matar coronavírus?

"Antes, eu evitava o sol porque não queria me bronzear", diz Theresia Rikke Astria, uma dona de casa de 27 anos de Yogyakarta, capital cultural da Indonésia. "Mas espero que fortaleça meu sistema imunológico contra o coronavírus."

Os médicos indonésios duvidam disso, embora reconheçam que uma exposição solar de 15 minutos pela manhã pode ser benéfica. "Expor o corpo à luz solar direta é bom para obter vitamina D, não para prevenir diretamente a doença", diz o médico Dirga Sakti Rambe, do Hospital OMNI Pulomas de Jacarta.

O médico explica que a vitamina D que pode ser adquirida por meio do consumo de peixes, ovos e leite e a exposição ao sol é importante para o sistema imunológico. No entanto é categórico: "o banho de sol não mata o vírus que causa a Covid-19".

Sol é o que não falta neste arquipélago tropical de 5.000 km localizado no sudeste asiático. No entanto, esse súbito interesse em sair ao ar livre levou o governo indonésio a alertar sobre os perigos do câncer de pele e a recomendar proteção solar à população.

O aviso é incomum no país onde os anúncios de produtos de beleza valorizam a pele clara. Em toda a Ásia, a pele branca é associada à classe social alta, e os produtos para clareamento da epiderme são sucesso de vendas.

Outra curiosidade é que embora o banho de sol tenha se tornado moda em tempos de coronavírus, isso não significa que pessoas recorram a roupas curtas ou ousadas. Neste país de população majoritariamente muçulmana, os códigos de vestuário são relativamente conservadores, especialmente para as mulheres.

Mudança de comportamento

A pandemia mudou a opinião e o comportamento de Rio Zikrizal. "Em tempos normais, eu relutaria em aproveitar o sol", declara o morador de Jacarta. "Eu tenho um tom de pele asiático que escurece facilmente, então frequentemente uso produtos para clarear a pele", diz.

Nabillah Ayu, que mora nos arredores da capital, inicia sua nova rotina de banhos de sol por volta das 10 horas da manhã, no momento em que costumava estar no escritório. Sua esperança é que o novo hábito evite a contaminação pelo coronavírus.

"A luz solar não pode matar diretamente o coronavírus, mas pode fortalecer o sistema imunológico e impedir que você o contraia", acredita a jovem de 22 anos.

Algumas unidades militares e policiais também incorporaram sessões de bronzeamento. As rotinas matinais de exercícios são realizadas com torso exposto.

Nas principais cidades do país, os habitantes saem dos bairros com ruas estreitas e escuras em busca de áreas abertas. Até trilhos de trem, viraram locais onde os indonésios podem tomar sol. Pelos caminhos férreos, mulheres arregaçam as mangas de seus vestidos, mas mantêm o hijab (véu islâmico), já os homens – jovens e idosos – ousam tirar camisas e camisetas para bronzear.

"Comecei a tomar sol regularmente desde o início da pandemia", conta Alfian perto de uma via férrea em Tangerang, nos arredores de Jacarta. "Sinto que meu corpo está mais forte", afirma.

O aposentado Wadianto Wadito, de 65 anos, é diabético, grupo de risco, e acredita que deve recorrer a todos os artifícios para não contrair a doença. "De qualquer forma, eu já estou tomando muitos remédios, então agora saio ao sol para obter as vitaminas sem ter que adicionar mais pílulas", diz.

(Com informações da AFP)

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Página não encontrada

O conteúdo ao qual você tenta acessar não existe ou não está mais disponível.