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Negociações para nomeação de ministros adiam para domingo posse de novo governo de união em Israel

Benjamin Netanyahu (à esquerda) e o antigo rival Benny Gantz fecharam um acordo para formar um governo de união nacional após 500 dias de crise.
Benjamin Netanyahu (à esquerda) e o antigo rival Benny Gantz fecharam um acordo para formar um governo de união nacional após 500 dias de crise. © AFP
Texto por: RFI
4 min

Depois de 500 dias de escândalos, três eleições e inúmeras negociações, a posse do governo de união nacional israelense, formado por Benjamin Netanyahu e seu antigo rival Benny Gantz, foi adiada de hoje para domingo (17), em meio a negociações sobre a distribuição dos ministérios.

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"O senhor Netanyahu pediu ao senhor Gantz para adiar a posse, a fim de poder concluir a distribuição das pastas no Likud, o que Gantz aceitou", indicaram os dois lados em comunicado. Os dois dirigentes, envolvidos por mais de um ano em uma disputa para governar, não conseguiram obter uma maioria e decidiram se unir para criar "um governo de união e emergência", que deverá recolocar o país nos trilhos após a crise do novo coronavírus.

O acordo prevê a manutenção de Netanyahu no cargo nos próximos 18 meses. Seu julgamento por corrupção começará no fim de maio. Após este período, Gantz assumirá como premiê por um prazo semelhante. As pastas serão distribuídas igualitariamente entre os dois lados.

Há uma liberdade absoluta para distribuir os ministérios entre os aliados, o que levou Gantz a convidar parte da esquerda a se unir ao governo. Netanyahu fez o mesmo com partidos ultraortodoxos. "Tudo gira em torno da atribuição de cadeiras. Este governo não parece ter uma ideologia", assinalou nesta quinta-feira (14) o jornal "Yediot Aharonoth", indicando que as negociações foram feitas de forma que "não haja nenhum debate substantivo".

Anexação x economia

Embora o acordo preveja a apresentação, a partir de 1º de julho, de um plano para pôr em prática o projeto americano de resolução do conflito com os palestinos, as "diretrizes" do papel do futuro governo a respeito parecem confusas. O plano prevê, em especial, a anexação por Israel de partes da Cisjordânia, território palestino ocupado desde 1967 pelo Estado hebreu. O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, fez ontem uma rápida visita a Jerusalém para discutir o assunto em particular com Netanyahu, Gantz e o futuro chefe da diplomacia israelense, Gabi Ashkenazi.

Apesar de se terem filtrado muito poucos elementos destas conversas, as "diretrizes" do próximo governo não mencionam especificamente "a anexação", e sim fazem referência à necessidade de "fortalecer a segurança nacional e trabalhar pela paz".

O governo afirma, sobretudo, querer se concentrar em "reforçar a economia e aumentar a competitividade" em um contexto de fim do isolamento social imposto pela crise sanitária. Com cerca de 9 milhões de habitantes, Israel registra oficialmente mais de 16,5 mil casos do novo coronavírus e 264 mortes. O balanço continua sendo baixo em relação à Europa e América do Norte, mas resultou em um grande salto do desemprego, que passou de 3,4% antes da crise sanitária para 27%.

Exército israelense mata menor palestino de 15 anos que tentou atropelar soldados

O Exército israelense matou, nesta quinta-feira, um palestino que tentou atropelar um grupo de soldados na Cisjordânia, de acordo com um comunicado oficial. A nota explica que um soldado ficou ferido. De acordo com a declaração do Exército, "o agressor dirigiu a toda velocidade na direção dos soldados, perto de um posto militar de Negohot", uma colônia israelense próxima da cidade palestina de Hebron, na Cisjordânia. O soldado ferido foi levado para o hospital e um segundo militar matou o agressor, segundo uma porta-voz do Exército.

O Ministério da Saúde palestino confirmou que o agressor era palestino e tinha 15 anos. Sua família o identificou como Baha Al Awawdé. O incidente ocorreu um dia depois da morte de outro jovem palestino, também de 15 anos, durante confrontos com o Exército israelense no campo de refugiados de Fawwr, em Hebron.

Além disso, centenas de árabes israelenses se manifestaram na localidade de Arara após a morte de um membro de sua comunidade na quarta-feira diante de um hospital em Tel Aviv. O homem, que a imprensa local apresentou como um indivíduo com problemas psiquiátricos, havia matado um segurança no hospital antes de ser baleado, de acordo com a polícia israelense.

Com informações da AFP

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