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Enquanto europeus retomam vida social, América Latina segue em meio a incertezas

Centenas de pessoas ocupam os parques de Madri nesta segunda-feira (25) com a flexibilização das medidas de distanciamento social.
Centenas de pessoas ocupam os parques de Madri nesta segunda-feira (25) com a flexibilização das medidas de distanciamento social. AFP
Texto por: RFI
6 min

Nesta segunda-feira (25), enquanto os espanhóis podiam retomar seus banhos de mar, os italianos ocupavam de novo suas piscinas, após semanas de restrições por medidas de segurança sanitária. Pouco a pouco, a Europa amplia a flexibilização do distanciamento social, adotado como estratégia contra a propagação da epidemia do novo coronavírus, que já matou cerca de 345.000 pessoas no planeta e continua a avançar, principalmente na América Latina.

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Em Madri, até então submetida a um dos mais rígidos confinamentos do mundo diante da pandemia que apareceu na China no final de 2019, os habitantes da capital espanhola se beneficiaram da reabertura das áreas externas dos cafés e restaurantes, além de espaços verdes. Ao amanhecer, centenas de moradores da cidade invadiram o Parque Retiro, cujos portões se abriram pela primeira vez em dez semanas.

"A reabertura do Retiro me traz uma certa serenidade, um certo conforto", vibra Rosa San José, 50 anos, passeando com roupas esportivas e uma máscara branca. Em parte da costa espanhola, as praias também voltaram a ser acessíveis.

Em uma rua no centro histórico da capital, a chocolateria San Ginés, famosa por seus churros de chocolate, tinha seis das 13 mesas habituais instaladas na parte externa, para garantir a distância de segurança. O interior das instalações permanece inacessível para os clientes. "Estamos abertos há 125 anos, e foi a primeira vez que ficamos fechados assim", disse o gerente Daniel Real à AFP. "Em breve, abriremos 24 horas, como antes, mas agora o turno da noite está suspenso, devido à ausência de turistas e porque a boate ao lado, que geralmente nos traz muitos clientes, ainda está fechada", explicou.

A capital espanhola, assim como Barcelona e sua região metropolitana e parte da região de Castilla e León (norte), iniciaram nesta segunda-feira sua primeira fase da saída progressiva do confinamento. A medida já havia começado no restante do país. Nesta fase, as áreas externas de bares, os espaços de culto, os museus e as bibliotecas podem reabrir, mas com capacidade limitada de público e mantendo entre as pessoas uma distância de segurança. Também são permitidos encontros de até dez pessoas.

Menos de cem mortes

Na última semana, a Espanha conseguiu conter a mortalidade da pandemia abaixo de cem mortes por dia. Mesmo assim, é um dos países mais atingidos no mundo, com mais de 28.700 mortes e 235.000 casos positivos confirmados. Além de Madri, o outro foco do coronavírus tem sido Barcelona e sua região metropolitana.

Outro país fortemente atingido pela Covid-19, a Itália deu um novo passo na flexibilização das restrições, com a reabertura das academias esportivas e piscinas, uma semana após a de restaurantes. Uma semana após a reabertura de bares e restaurantes, os quase 10 milhões de italianos que frequentam academias poderão retomar a prática de atividades esportivas, desde que por meio de reservas antecipadas. Apenas duas regiões adiaram a reabertura: a Lombardia, para 31 de maio; e Basilicata, para 3 de junho.

Um dos países mais afetados pela Covid-19, com mais de 32.000 mortes em três meses, a Itália acelerou a saída do confinamento na semana passada, com a reabertura de lojas, bares e restaurantes. A partir de 3 de junho, o governo planeja suspender as restrições às viagens entre regiões e reabrir as fronteiras aos viajantes europeus para permitir a retomada do turismo. O setor é crucial para a economia italiana.

Alemanha: medidas até 5 de julho

Na Islândia, as boates já podem receber clientes, um privilégio raro na Europa. Esta manhã, os esportistas também puderam frequentar de novo suas academias. "É ótimo poder retomar as atividades físicas", admitiu Helga Bergman, 55 anos, que não perdeu a reabertura de sua academia favorita, a World Class Laugar, em Reykjavik.

Na Alemanha, a maioria dos restaurantes conseguiu reabrir nesta segunda-feira, assim como alguns hotéis. No entanto, o governo pretende estender até pelo menos 5 de julho suas regras de distanciamento social.

O Reino Unido, segundo país com maior número de vítimas fatais (quase 37.000), planeja iniciar sua saída do confinamento a partir de 1º de junho, com uma reabertura parcial das escolas. Hoje, o primeiro-ministro Boris Johnson foi alvo de críticas, por manter seu conselheiro Dominic Cummings, que violou o confinamento, ao ir à casa de seus pais no final de março, a 400 quilômetros de Londres, quando apresentava sintomas da Covid-19.

Na Áustria, considerado um país modelo na gestão da crise, foi o presidente da República, Alexander Van der Bellen, que teve de se desculpar por estar em um restaurante em Viena após o horário de fechamento.

Na França, a próxima etapa de relaxamento das medidas de segurança é prevista para o dia 02 de junho.

Voos domésticos na Índia

Na Grécia, os terraços e as calçadas de tabernas e cafés reabriram nesta segunda-feira, uma semana antes do esperado, para apoiar o setor de restaurantes. Espera-se o retorno dos turistas em meados de junho. No bairro Thissio, aos pés da Acrópole, os atenienses retomam seus hábitos, saboreando seu café "freddo" ao sol.

Em Kiev, capital da Ucrânia, o metrô voltou a operar. Distâncias de segurança e gestos de barreira estão por toda parte para evitar uma possível segunda onda pandêmica, temida pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O Japão suspendeu nesta segunda-feira o estado de emergência que ainda estava em vigor em Tóquio, para permitir a retomada da atividade econômica da terceira economia mundial.

Na Índia, os voos domésticos foram retomados hoje. Entre as condições necessárias para poder embarcar estão a verificação de temperatura e ter o aplicativo de rastreamento do governo, o Aarogya Setu, instalado no celular. Apesar dessas precauções, o nervosismo era palpável entre os funcionários do aeroporto de Nova Délhi. "Interagir com tantas pessoas no momento é arriscado. Devo ter estado em contato com pelo menos 200 pessoas desde esta manhã", disse um funcionário à AFP.

De longe o país do Oriente Médio mais atingido pela pandemia, o Irã reabriu seus principais santuários xiitas nesta segunda, incluindo os de Machhad e Qoms.

Multidão

Enquanto a pandemia parece sob controle na Europa e desacelera sua progressão nos Estados Unidos, seus estragos avançam na América Latina, seu "novo epicentro", de acordo com a OMS.

Particularmente atingido, o Brasil já registrada a morte de mais de 22.600 pessoas.  Contrário às medidas de confinamento e aos gestos de barreira, o presidente Jair Bolsonaro não hesitou em passear em meio a uma multidão em Brasília, neste domingo (24), apertando as mãos de seguidores e até carregando uma criança nos ombros.

Diante da deterioração da situação no país, o presidente americano, Donald Trump, aliado de Bolsonaro, proibiu no domingo a entrada nos Estados Unidos de viajantes não americanos vindos do Brasil.

Com a marca de 100.000 mortes a ser atingida esta semana nos Estados Unidos, o país mais afetado do planeta, as bandeiras americanas foram hasteadas a meio mastro por três dias. Ainda assim, a flexibilização do confinamento continua no território americano, com um governo ansioso para reativar a economia. Os nova-iorquinos, por exemplo, puderam retornar às praias neste domingo.

“Muito próximo de seus limites”

Já no México, o presidente Andrés Manuel López Obrador alertou que o país está "no momento mais doloroso da pandemia". Ele estimou que a crise causará a perda de 1 milhão de empregos em 2020. No Chile, o presidente Sebastián Piñera considerou que o sistema nacional de saúde está saturado e "muito próximo de seus limites".

O Peru estendeu o confinamento até 30 de junho. Na Argentina, o isolamento social obrigatório foi prorrogado até 7 de junho, uma vez que o número de contaminações em Buenos Aires aumentou cinco vezes em duas semanas.

Com agências de notícias internacionais.

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