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Em meio a protestos e pressão de Washington, Hong Kong discute lei que protege hino chinês

Manifestantes voltam às ruas em Hong Kong em protestos contra leis vistas como uma forma de controle de Pequim sobre o território.
Manifestantes voltam às ruas em Hong Kong em protestos contra leis vistas como uma forma de controle de Pequim sobre o território. REUTERS - Tyrone Siu
Texto por: RFI
3 min

O Parlamento de Hong Kong examina em segunda leitura nesta quarta-feira (27) um projeto de lei que criminaliza qualquer tipo de ataque visando o hino chinês. O debate acontece em um momento sensível, com a retomada de manifestações populares contra a aprovação por Pequim da lei de segurança, vista como um ataque às liberdades individuais no território. Os Estados Unidos alertam para o impacto da situação na imagem de capital financeira de Hong Kong.

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Temendo protestos violentos nesta quarta-feira, a polícia de Hong Kong reforçou as medidas de segurança nos arredores do Conselho Legislativo, o Parlamento Local, onde será debatido o texto que consolida o crime de ultraje ao hino chinês. Foi nesse mesmo local que teve início, em junho de 2019, a contestação contra a lei de segurança.

Apesar de marginal, a discussão em Hong Kong sobre a proteção do hino chinês pode ser o estopim de novos protestos. As manifestações haviam sido interrompidas por causa da pandemia de coronavírus, mas foram retomadas no fim de semana, após a apresentação, na semana passada, de mais detalhes sobre a lei de segurança da China.

O texto de Pequim, que vem sendo debatido desde o ano passado, é visto por parte dos moradores de Hong Kong como uma forma de controle chinês sobre o princípio de "um país, dois sistemas", que garante a Hong Kong liberdades inexistente em outras partes da China até 2047.

Composto por apenas sete artigos, o texto detalhado na sexta-feira (22) por Pequim visa proibir "traição, secessão, sedição e subversão". Mas, nas entrelinhas, censura qualquer tipo de crítica vinda de Hong Kong ao regime chinês.

Nesta terça-feira (26), a chefe do Executivo, Carrie Lam, repetiu que a preocupação com as liberdades de Hong Kong é "totalmente infundada". Segundo ela, o projeto "visa apenas um punhado de criminosos e protege a grande maioria dos habitantes que respeita a lei e que ama a paz".

O representante da China em Hong Kong, Xie Feng, também disse na véspera, diante de diplomatas e empresários estrangeiros, que "não há absolutamente nenhuma razão para entrar em pânico", diante de uma lei que visa "as forças violentas e terroristas".

Washington ameaça

Diante da retomada de protestos, a comunidade internacional começa a reagir. A porta-voz da presidência norte-americana, Kayleigh McEnany, disse nesta terça-feira que Hong Kong corre o risco de perder seu protagonismo na cena econômica internacional caso Pequim imponha seu projeto de lei.

“É difícil imaginar como Hong Kong poderá continuar sendo uma capital financeira se a China tomar o controle”, declarou a representante de Washington. Segundo ela, o alerta havia sido feito pelo próprio presidente americano, Donald Trump, que não estaria contente com o desenrolar da situação na região. O chefe da Casa Branca já havia ameaçado se afastar de Hong Kong, parceiro comercial privilegiado dos Estados Unidos.

A autonomia da qual se beneficia o território e o respeito das liberdades fundamentais contribuíram historicamente para que Hong Kong se consolidasse como uma plataforma financeira capaz de rivalizar com Londres ou Nova York.

(Com informações da AFP)

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