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China reage a proposta de concessão de passaportes britânicos a cidadãos de Hong Kong

Manifestantes pró-democracia reunidos em um centro comercial de Hong Kong, em 1 de junho de 2020.
Manifestantes pró-democracia reunidos em um centro comercial de Hong Kong, em 1 de junho de 2020. AFP
Texto por: RFI
3 min

Depois de o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, oferecer milhões de passaportes a residentes de Hong Kong e possível acesso à cidadania britânica, Pequim reagiu com vigor. Em mensagem enviada nesta quarta-feira (3), a China pediu ao Reino Unido que "cesse imediatamente toda a interferência" nos assuntos do território autônomo.

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"Aconselhamos a parte britânica (...) a cessar imediatamente qualquer interferência nos assuntos de Hong Kong e nos assuntos internos da China", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Zhao Lijian. "Caso contrário, será o mesmo que dar um tiro no próprio pé", acrescentou.

Londres havia pedido para que Pequim não impusesse uma lei controversa de segurança nacional em Hong Kong. Em artigo publicado nos jornais London Times e South China Morning Post, Boris Johnson alertou que "muitas pessoas em Hong Kong temem que o seu modo de vida - que a China se comprometeu a manter - esteja ameaçado".

"Se a China seguir em frente e justificar esses temores, a Grã-Bretanha não poderá, conscientemente, dar de ombros e seguir em frente. Pelo contrário, honraremos nossas obrigações e forneceremos uma alternativa", assegurou Johnson. "Se a China impuser sua lei de segurança nacional, o governo britânico alterará suas leis de imigração e permitirá que residentes de Hong Kong venham ao Reino Unido por um período renovável de 12 meses e a obter outros direitos, incluindo o direito ao trabalho, que os colocaria no caminho da cidadania ", escreveu Johnson.

Reino Unido, Estados Unidos, Austrália e Canadá manifestaram publicamente suas preocupações. "Ainda há tempo para a China pensar, se afastar do precipício e respeitar a autonomia de Hong Kong e suas próprias obrigações, bem como suas obrigações internacionais", disse o ministro das Relações Exteriores britânico, Dominic Raab, ao pedir que Pequim abandone a lei.

Atualmente, cerca de 350.000 pessoas em Hong Kong possuem o "British Overseas Passport", que fornece acesso, sem visto, à Grã-Bretanha para estadias de até seis meses. Mais 2,5 milhões seriam elegíveis para se candidatar a esse tipo de documento, emitido para residentes da ex-colônia britânica, quando o território foi devolvido à China, em 1997.

Projeto de endurecimento de lei veio na esteira de protestos

Elaborado em reação às grandes manifestações contra a influência de Pequim, que abalaram Hong Kong, em 2019, um projeto de lei de segurança nacional recebeu luz verde do parlamento chinês. Adotado pela Assembleia Nacional do Povo Chinês (PNA), mas ainda não finalizado, o texto legislativo planeja punir atividades separatistas, "terroristas", subversão ou mesmo interferência estrangeira no território semiautônomo chinês.

Os protestos reforçaram uma corrente pró-independência que anteriormente era marginal em Hong Kong e originaram reações internacionais, renovando a agitação neste território do sul da China.

Opositores da influência de Pequim no território dizem que a medida abre caminho para uma regressão sem precedentes das liberdades na metrópole financeira de 7 milhões de habitantes. Durante a retrocessão, entretanto, Pequim se comprometeu a garantir a Hong Kong uma grande autonomia e liberdades, de acordo com o princípio "um país, dois sistemas".

Ex-colônia britânica

Sob o conceito "Um país, dois sistemas", a ex-colônia britânica de Hong Kong se beneficiou, desde a sua entrega à China, em 1997, de autonomia relativa, liberdade de expressão e justiça independentes do poder central. Uma autonomia que, de acordo com a oposição pró-democracia, está ameaçada com a criação da nova lei de segurança que, em última instância, poderá corroer as liberdades territoriais.

"Aconselhamos a parte britânica (...) a abandonar sua mentalidade da Guerra Fria e colonial, para reconhecer e respeitar o fato de que Hong Kong foi devolvida" à China, acrescentou o porta-voz de Pequim, Zhao Lijian.

"A Grã-Bretanha não está tentando impedir a ascensão da China" no cenário internacional, garantiu Boris Johnson. "A Grã-Bretanha só quer que Hong Kong prospere sob um país, dois sistemas", reforçou o primeiro-ministro, ao propor passaportes britânicos a cidadãos de Hong Kong, caso Pequim implementasse seus planos. "A Grã-Bretanha não teria escolha a não ser manter seus profundos laços de história e amizade com o povo de Hong Kong", concluiu o premiê britânico.

 

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