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Encontro virtual de doadores faz apelo por vacina global contra Covid-19

Reino Unido organiza cúpula virtual para angariar fundos para a Vaccine Alliance (GAVI), nesta quinta-feira (4).
Reino Unido organiza cúpula virtual para angariar fundos para a Vaccine Alliance (GAVI), nesta quinta-feira (4). © gavi.org

Uma futura vacina contra o novo coronavírus deverá ser considerada um "bem público mundial", afirmou nesta quinta-feira (4) o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, na abertura de uma reunião virtual internacional de arrecadação de fundos para a Aliança para a Vacina (GAVI). A cúpula esta sendo organizada pelo Reino Unido.

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O objetivo da Aliança é arrecadar US$ 2 bilhões, para a compra e a produção de uma possível vacina contra a COVID-19, bem como sua distribuição nos países em desenvolvimento.

O pronunciamento de Guterres foi feito através de uma mensagem de vídeo na qual destacou que muitos líderes mundiais se declararam a favor da ideia.

Johnson pede nova era de cooperação global

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, pediu uma "nova era de cooperação global" em questões de saúde diante da pandemia de coronavírus.

"Espero que este encontro seja o momento para unir a humanidade na luta contra a doença", disse Johnson em discurso feito de Downing Street, em Londres. Ele pediu o fortalecimento da aliança a fim de “salvar vidas e inaugurar uma nova era de cooperação mundial em saúde".

O Reino Unido é o segundo país mais afetado pelo coronavírus, com quase 40.000 mortes confirmadas. O país é também o maior colaborador da GAVI, com um investimento de £ 1,65 bilhão (US$ 2,08 bilhões) prometido pelos próximos cinco anos.

Na cúpula virtual de mais de 50 países, a Aliança espera arrecadar US$ 7,4 bilhões para continuar as campanhas mundiais de vacinação contra sarampo, poliomielite, ou febre tifoide, em grande medida interrompidas pela pandemia de COVID-19.

Bill Gates ressalta apoio de vários laboratórios

O bilionário americano Bill Gates, cuja fundação é muito ativa na pesquisa de vacinas, disse hoje que vários laboratórios farmacêuticos estão dispostos a disponibilizar sua capacidade de produção assim que a vacina for desenvolvida - mesmo que não se escolha a que eles estejam produzindo.

Em entrevista à rádio pública britânica BBC, Gates disse que isso é fundamental para garantir que o maior número possível de pessoas tenha acesso à vacina, quando esta for descoberta.

"Essas empresas fazem isso para ajudar o mundo, não porque pensam que podem obter benefícios, mas porque sabem que é um bem público", afirmou.

"Quando tivermos uma vacina, queremos desenvolver imunidade coletiva e, para isso, precisamos garantir que ela seja ministrada a mais de 80% da população mundial", acrescentou.

Ameaça de domínio americano sobre vacinas

A cúpula da GAVI acontece em um momento delicado, no qual a pandemia exacerbou ataques contra o multilateralismo, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a ruptura com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e há um medo crescente de que os Estados Unidos tenham controle sobre futuras vacinas.

"É de grande importância, e estamos alcançando isso, que haja consenso e apoio internacional em todo o mundo para encontrar uma vacina e fornecê-la para todos aqueles que são vulneráveis, porque ninguém estará seguro até que todos estejam", disse à AFP a ministra britânica do Desenvolvimento Internacional, Anne-Marie Trevelyan.

A iniciativa de criar um fundo para garantir que países pobres tenham acesso a uma futura vacina contra o coronavírus foi aplaudida por Anna Marriott, encarregada da Saúde na Oxfam.

Em nota, ela enfatizou, porém, que "a GAVI e os governos que a financiam devem primeiro enfrentar o poder monopolista da indústria farmacêutica, que se interpõe no caminho de uma vacina para o povo".

"O dinheiro dos contribuintes deve ser investido em vacinas e tratamentos isentos de royalties e disponíveis para todas as nações a preço de custo", insistiu.

 

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