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Morte de palestino autista em Jerusalém por polícia israelense gera indignação

Em comunicado, a polícia israelense relatou ter "neutralizado" um suspeito. A vítima, um jovem palestino autista de 32 anos, estava "armada" apenas de seu telefone.
Em comunicado, a polícia israelense relatou ter "neutralizado" um suspeito. A vítima, um jovem palestino autista de 32 anos, estava "armada" apenas de seu telefone. AFP - AHMAD GHARABLI
Texto por: RFI
4 min

O jovem palestino Iyad Hallak passava quase todos os dias, sob o olhar da polícia israelense, pela "Porta dos Leões", para frequentar sua escola na Cidade Velha de Jerusalém. No sábado 30 de maio, no entanto, o estudante foi morto pela polícia, causando revolta entre os palestinos. O sentimento de indignação é extensivo à sociedade israelense.

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Por Alice Froussard, correspondente da RFI em Ramallah

O episódio se passou há uma semana. Um comunicado da polícia israelense relatava que um suspeito tinha sido "neutralizado" na Cidade Velha de Jerusalém, perto da “Porta dos Leões”. Só que, dessa vez, o suspeito em questão não passava de um palestino desarmado, de 32 anos, que sofria de autismo.

A polícia supôs que ele estivesse planejando um ataque, suspeitaram que ele portasse uma arma e exigiram que ele a apresentasse. Ao se encaminhar para o posto de controle, Iyad foi baleado duas vezes. O jovem foi assassinado justamente no momento em que “sacou seu telefone” do bolso.

Em seguida ao episódio, a Cidade Velha de Jerusalém foi imediatamente isolada. As autoridades israelenses revistaram sua casa em busca de provas comprometedoras. Sem sucesso. De acordo com testemunhos de seu primo publicados pela imprensa, “Iyad nem sabia o que era um soldado, nem o que era uma arma. Ele não sabia o que havia ‘outro lado’”.

A história rapidamente provocou indignação nos dois lados da Linha Verde, a linha que divide Israel e os Territórios Palestinos, o que raramente acontece. O ministro da Defesa de Israel pediu desculpas pelo assassinato. No lado palestino, o Fatah denuncia "um crime de guerra".

"Vidas palestinas importam"

Quando o mundo volta sua atenção ao assassinato de George Floyd nos Estados Unidos, a história de Iyad gera correlações imediatas. Logo comparações surgiram entre a vida dos palestinos e a vida dos negros americanos. Nas redes sociais, a hashtag “Palestinian Lives Matter” ecoou o lema “Black Lives Matter”. Manifestações vêm sendo realizadas quase todas as noites, nos lados israelense e palestino, em Ramallah, Jerusalém, Tel Aviv e nas localidades árabes de Israel.

No Instagram e no Facebook, artistas palestinos publicam antigas fotos da polícia, com oficiais do exército israelense ajoelhados sobre o pescoço de palestinos presos. Imagens semelhantes às da morte do americano George Floyd. Em Ramallah, um instituto público pela democracia compartilhou em sua conta no Twitter um desenho de Iyad Hallak e George Floyd, lado a lado. Na legenda: "dois países, mesmo sistema".

Um editorialista israelense engajado nas questões sociais também enfatizou a comparação entre a polícia israelense e a americana, destacando as diferentes repercussões pelo mundo: "Lá, eles matam negros, cujo sangue é barato. Em Israel, matam palestinos, cujo sangue é ainda mais barato. Mas aqui, assassinatos nos deixam dormir. Lá, desencadeiam protestos".

Com medo de colocar a mão no bolso

A ONG israelense Btselem, que luta pelos direitos palestinos, publicou uma lista com histórias de 11 palestinos mortos em condições semelhantes às de Iyad Hallak. De acordo com um professor de ciências políticas da Universidade de Birzeit, a maioria de seus alunos, sempre que passam por um posto de controle ou por soldados, tem medo de colocar as mãos no bolso ou de procurar algo em suas mochilas, por receio de que os soldados pensem que estão armados.

 

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