Pandemia: médicos e enfermeiros voltam a Cuba após 2 meses na Itália

Médicos e enfermeiros cubanos enviados para ajudar a Itália  no combate à pandemia do novo encerram sua missão.
Médicos e enfermeiros cubanos enviados para ajudar a Itália no combate à pandemia do novo encerram sua missão. AP - Antonio Calanni

Um grupo de 52 profissionais de saúde voltam nesta segunda-feira (8) a Cuba, após dois meses de apoio na luta contra a Covid-19 na Itália. O retorno é celebrado com pompa pelo regime. Pairam questões a respeito do preço dessa ajuda.

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Há críticas e perguntas sobre o quanto essa colaboração teria custado. Mas é inegável que a crise do coronavírus deu um lugar de destaque aos médicos cubanos. 

De Milão em direção à Havana, após dois meses no hospital de Crema, norte da Itália, 36 médicos e 15 enfermeiros voltam “com o sentimento de dever cumprido” e os agradecimentos das autoridades italianas.

Nos 58 dias em que a primeira brigada cubana atuou na região de Crema, os profissionais caribenhos realizaram um total de 5.526 consultas e 3.676 procedimentos de enfermaria, segundo o site oficial do Ministério da Saúde Publica de Cuba.

Quanto custou a ajuda cubana?

O valor do cheque é uma incógnita. No total, 1.800 profissionais da área de saúde foram enviados a 27 países para reforçar o combate contra o coronavírus. Um gesto humanitário, segundo o governo cubano, mas também uma importante entrada de divisas.

Mas segundo o economista cubano Ricardo Torres, essas missões não vão compensar as perdas financeiras sofridas por Cuba em decorrência da pandemia.

“Quanto é que Cuba vai receber pelo envio dessas brigadas, que fazem parte de um contingente especial que atua em casos de urgências e catástrofes”, questiona o especialista. “Sinceramente, não acho que isso seja lucrativo. Pode cobrir as despesas, é claro, mas isso não significa uma entrada efetiva de fundos ao pais”, acrescenta Torres.

“Tudo não passa de especulações, pois não há informações publicas a esse respeito, mas é certo que é publicidade gratuita e muito benéfica para a indústria médica da ilha”, diz o economista.  

O ministro cubano da Saúde Publica, José Angel Portal Miranda, rebateu na semana passada críticas ao programa, acusando os ataques de serem “campanhas de descrédito”. Ele lembrou que 61.237 pacientes no mundo todo contaminados pelo coronavírus foram tratados por médicos e enfermeiros cubanos.  

 

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