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A Semana na Imprensa

Dirigentes políticos não se falam mais e parecem incapazes de evitar o caos

Áudio 02:53
O presidente americano e a chanceler Angela Merkel durante uma reunião de líderes da Otan, realizada em dezembro de 2019, em Londres, que expôs os atritos entre os europeus e Donald Trump.
O presidente americano e a chanceler Angela Merkel durante uma reunião de líderes da Otan, realizada em dezembro de 2019, em Londres, que expôs os atritos entre os europeus e Donald Trump. AP - Evan Vucci
Por: Adriana Moysés
6 min

Em sua crônica semanal de geopolítica na revista L’Obs, o jornalista francês Pierre Haski aborda a crise profunda que atravessa o multilateralismo e o desafio que a ruptura desse modelo de cooperação entre os Estados, instaurado como “norma” depois do fim da Segunda Guerra Mundial, impõe aos europeus.

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Na avaliação do colunista de geopolítica, a União Europeia "tem todos os atributos para representar um espaço exemplar de paz e cooperação", apesar do caos atual. “O mundo perdeu a bússola ante um presidente americano nacionalista e uma potência emergente chinesa que se afirma multilateral nas palavras, mas atua de maneira hegemônica”, observa Haski. O problema é que o europeus aparentemente não compreenderam a urgência em assumir esta liderança, nota Haski.

Duas grandes cúpulas internacionais, uma do G7, que estava prevista para ocorrer em junho nos Estados Unidos, e outra entre a União Europeia e a China, no segundo semestre, foram adiadas pela chanceler alemã, Angela Merkel, sem previsão de novas datas. Nos dois casos, o pretexto foi a pandemia de coronavírus. Mas, como explica o colunista francês, Merkel colocou o G7 temporariamente na geladeira porque não queria ser humilhada por Donald Trump ou, menos ainda, ser instrumentalizada pelo republicano em sua campanha à reeleição.

É verdade que o G7, grupo de sete países industrializados que representam 40% do PIB mundial, perdeu sua razão de ser depois da criação do G20, ampliado aos emergentes, incluindo a China, e representativo de 85% do PIB mundial. No entanto, como recorda o colunista da L'Obs, apesar de esvaziado, o G7 ainda servia como uma ferramenta de discussão entre os ocidentais. Até a chegada de Trump e sua política disruptiva de aposta no caos.

No caso da cúpula que deveria ocorrer em setembro entre a China e a União Europeia, em Leipzig, sob a presidência rotativa da Alemanha no bloco, o cancelamento aconteceu porque as relações entre a Europa e a China estão em plena reavaliação. No ano passado, a Comissão Europeia estimou em um documento que a China era, simultaneamente, "um parceiro" do bloco e um "adversário sistêmico" da Europa. Antes de se encontrar com o presidente chinês, Xi Jinping, os europeus precisam definir de que modo poderia funcionar este equilíbrio complexo, e ainda num contexto de rivalidade sino-americana, de questionameno sobre as cadeias de produção dependentes da China e de apoderamento de Pequim sobre Hong Kong.

Que a Europa enfrente dificuldades em suas relações com os Estados Unidos e a China é compreensível, sobretudo nesse período complexo. Mas, diante de um antigo mundo que está desmoronando, que não consegue mais evitar guerras nem fazer as nações trabalharem juntas contra ameaças comuns – como as mudanças climáticas, pandemias e desigualdades –, cabe aos europeus tomarem consciência de que é o destino do continente que está em jogo.

 

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