Conselho de Segurança da ONU tem votação acirrada; México está com vaga garantida

A sala do Conselho de Segurança da ONU, em Nova York.
A sala do Conselho de Segurança da ONU, em Nova York. UN Photo/Paulo Filgueiras

A Assembleia Geral da ONU deve escolher nesta quarta-feira (17) cinco membros não permanentes do Conselho de Segurança para 2021 e 2022, em uma eleição na qual Djibuti e Quênia se enfrentam por uma cadeira, e Canadá, Noruega e Irlanda disputam outras duas. Para a região da América Latina e Caribe, o México tem a vaga assegurada como candidato único, a mesma situação da Índia para o grupo Ásia-Pacífico.

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Os diplomatas da ONU se reencontram pela primeira vez desde março, quando a pandemia de coronavírus substituiu as reuniões presenciais por videoconferências. As medidas sanitárias em vigor devem, no entanto, prolongar a votação. O representante de cada país irá se manifestar diante do presidente da sessão, e esse protocolo será repetido a cada nova rodada de votação.

Como aconteceu em oportunidades anteriores, a África não conseguiu apresentar apenas um candidato para a cadeira que corresponde ao continente. Enquanto o Quênia afirma ter o apoio da União Africana, Djibuti alega ter prioridade em função de um princípio de rodízio e diz que Nairóbi já integrou o Conselho mais vezes.

Em suas campanhas, os países rivais – diferentes também pelo idioma, inglês e francês – destacaram suas ações para garantir a paz na região conturbada do Chifre da África, formada por Djibuti, Somália, Etiópia, Eritreia e a Somalilândia, país que adquiriu sua independência em 1991 mas ainda não teve reconhecimento internacional.

O Quênia destacou a forma como acolheu os refugiados somális e do sul do Sudão, assim como o apoio aos governos dos países afetados. Djibuti, com uma situação geográfica estratégica e que tem bases militares americana, francesa, chinesa e japonesa, também ressalta seu papel para pacificar a Somália.

Três ocidentais para duas vagas

O grupo da Europa ocidental e outros, que está acostumado à disputa, observa o embate entre Canadá, Irlanda e Noruega por duas cadeiras. Em sua última tentativa, em 2010, o Canadá sofreu uma dura derrota para Portugal. Um novo revés pode ter consequências políticas para o primeiro-ministro Justin Trudeau.

Cada um dos 193 membros da ONU está convidado a depositar o voto nesta quarta-feira em uma urna, de acordo com um horário previamente estabelecido. Para obter uma cadeira no Conselho, é necessária a maioria de dois terços, ou seja, 128 votos em caso de participação dos 193 membros das Nações Unidas. Não está descartada a possibilidade de várias rodadas de votação, em meio a uma disputa acirrada entre os candidatos.

O Conselho de Segurança tem 15 membros: cinco deles permanentes (Estados Unidos, China, Grã-Bretanha, França e Rússia) e dez não permanentes, renovados de cinco em cinco todos os anos.

Segundo Alexandra Novosseloff, pesquisadora associada do centro de Thucydide da Universidade Paris II, durante os dois anos de mandato, um membro rotativo participa de todas as decisões que o Conselho tomar, quase em pé de igualdade com os demais.

"Você não tem poder de veto, mas participa de todo o processo de tomada de decisão. [...] Tem capacidade de iniciativa e pode chamar a atenção sobre algum tema de interesse de sua região", explicou a pesquisadora à RFI. "É uma aposta muito importante para a diplomacia dos Estados que conseguirão ser eleitos, um período que mobiliza todas as forças diplomáticas de um país por dois anos", destaca.

Na eleição desta quarta-feira, os membros da Assembleia Geral também devem escolher o próximo presidente para a sessão 2020-2021. Apenas um candidato está na disputa, o ex-ministro e diplomata turco Volkan Bozkir. Recentemente, porém, Grécia, Armênia e Chipre expressaram sua oposição à designação de Bozkir por consenso e pediram uma votação secreta.

Com informações da RFI e AFP

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