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População de deslocados atinge 1% da humanidade, um recorde

O número de refugiados e deslocados devido à violência voltou a atingir um recorde em 2019, afirma a ACNUR nesta quinta-feira(18) em Genebra.
O número de refugiados e deslocados devido à violência voltou a atingir um recorde em 2019, afirma a ACNUR nesta quinta-feira(18) em Genebra. AP - Dolores Ochoa
Texto por: RFI
3 min

A população de deslocados já representa mais de 1% da humanidade, quase 80 milhões de pessoas, um número recorde, de acordo com o novo relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), divulgado nesta quinta-feira (18). Essas pessoas tiveram de deixar suas casas para "fugir de guerras, perseguições, violações dos direitos humanos e outras formas de violência", diz o comissário-geral da Acnur, Filippo Grandi.

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No final de 2019, havia pelo menos 79,5 milhões de deslocados no mundo, aponta o documento. Eles são refugiados, requerentes de asilo no exterior ou pessoas desenraizadas em seu próprio país. Todos têm cada vez menos perspectivas de retornar à sua região de origem, adverte a ONU.

A tendência de alta nas migrações internacionais é observada desde 2012 e a situação se ampliou em 2019, indicando que houve "mais conflitos e mais violência" que em anos precedentes, analisa Filippo Grandi. Os números traduzem também "soluções políticas insuficientes" adotadas para superar as crises que expulsam as populações de suas regiões e as impedem de voltar para casa.

Há dez anos, o mundo tinha 40 milhões de deslocados. "O número dobrou e não vemos a tendência frear", alertou o comissário-geral da Acnur. O relatório 2020 da agência da ONU mostra que entre as 45,7 milhões que tiveram que fugir, 26 milhões vivem fora das fronteiras de seu país de origem. Cerca de 4,2 milhões entram com pedido de asilo. A este dado se somam os 3,6 milhões de refugiados venezuelanos que são contabilizados separadamente.

"A comunidade internacional está dividida e totalmente incapaz de trabalhar pela paz. Infelizmente, a situação vai continuar a se agravar e temo que no ano que vem será ainda pior", prevê Grandi.

Pandemia de Covid-19

Em 2019, segundo dados do Acnur, houve 11 milhões de deslocados a mais no mundo, a maioria deles expulsos de um pequeno número de países em guerra. Cinco países concentram 68% da população de refugiados no planeta: Síria, Venezuela, Afeganistão, Sudão do Sul e Mianmar. A Síria, devastada por nove anos de conflito armado, tem 13,2 milhões de pessoas que abandonaram suas casas, Isso representa um sexto da população total de deslocados no mundo. São os países de renda média ou baixa que apoiam 85% do enorme fluxo transfronteiriço e não os países ricos.

O relatório da Acnur não aborda diretamente o apareceimento do novo coronaírus, mas indica que o impacto econômico da pandemia é grave nos países pobres e em desenvolvimento. "O que observamos realmente aumentar dramaticamente é a pobreza", explica o diretor da agência. Como outros trabalhadores precários, os muitos refugiados não puderam trabalhar e obter uma renda mínima por causa das medidas de confinamento.

"Uma atividade que não foi contida pela pandemia foi a guerra, o conflito ou a violência. Com ou sem pandemia, as pessoas continuam a fugir porque estão ameaçadas e precisam de um refúgio, de uma proteção", concluiu o comissário-geral.

(Com informações da AFP)

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