Hospital israelense oferece ajuda a centros médicos municipais do Rio de Janeiro

Os participantes brasileiros da conversa perguntaram quais procedimentos existem em Israel que podem se encaixar no Rio de Janeiro, conversaram sobre cooperação tecnológica, obtenção de equipamentos médicos e continuidade das fileiras médicas entre o Hospital Ichilov e os executivos do sistema médico no Rio.
Os participantes brasileiros da conversa perguntaram quais procedimentos existem em Israel que podem se encaixar no Rio de Janeiro, conversaram sobre cooperação tecnológica, obtenção de equipamentos médicos e continuidade das fileiras médicas entre o Hospital Ichilov e os executivos do sistema médico no Rio. © Daniela Kresch

Um dos maiores hospitais de Israel, o Centro Médico Sourasky de Tel Aviv, se dispôs a ajudar hospitais municipais do Rio de Janeiro a enfrentarem a epidemia do novo coronavírus. A iniciativa para a cooperação foi do vice-prefeito da segunda maior cidade de Israel, o brasileiro Roberto Reuven Ladijanski.

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Daniela Kresch, correspondente da RFI em Israel

Em videoconferência realizada na quarta-feira (17) para troca de experiências, o diretor-geral do Sourasky (conhecido como Ichilov, antigo nome oficial), Ronni Gamzu, sugeriu analisar a possibilidade do envio de material e equipamentos para o tratamento de pacientes dos hospitais municipais cariocas.

Participaram da conversa virtual, o diretor do Hospital Municipal Raul Gazolla, em Acari, Luiz Fernando Gandara, e a diretora do Hospital de Campanha, no Riocentro, Valesca Antunes Marques, entre outros. A prefeitura do Rio foi representada pelo diretor de Relações Externas, embaixador Antonio Fernando Cruz de Mello.

O vice-prefeito de Tel Aviv, Roberto Reuven Ladijanski, que nasceu no Brasil
O vice-prefeito de Tel Aviv, Roberto Reuven Ladijanski, que nasceu no Brasil © Daniela Kresch

Os médicos apresentaram um panorama da situação atual da pandemia no Rio de Janeiro e em Tel Aviv, trocaram informações sobre protocolos de conduta adotados e medicamentos utilizados no tratamento dos pacientes de Covid-19.

“Tentamos saber dos problemas, das dificuldades, dos desafios dos hospitais no Rio de Janeiro com essa crise da epidemia e do que eles estão precisando, seja equipamentos ou aconselhamento”, diz o vice-prefeito de Tel Aviv.

De acordo com Ladijasnki, ficou decidido que os hospitais cariocas farão uma lista dos principais itens de interesse para que o Hospital Ichilov possa analisar a viabilidade de envio ou concessão à rede municipal carioca.

Os participantes brasileiros da conversa queriam saber de procedimentos existentes em Israel que podem ser adaptados ao Rio de Janeiro, conversaram sobre cooperação tecnológica, obtenção de equipamentos médicos e continuidade de cooperação entre o Hospital Ichilov e os executivos do sistema médico no Rio.

“Cada brasileiro no mundo tem que fazer um esforço”

Nascido no Méier, no Rio de Janeiro, Roberto Reuven Ladijanski, 49, diz que o contato é algo importante também em termos pessoais. Filho de pai brasileiro de origem polonesa e de mãe israelense de origem romena, ele chegou em Israel aos 10 anos de idade. Desde 2008, ele é parte do Conselho Municipal de Tel Aviv. Foi secretário de Meio-Ambiente, Urbanismo e Direitos dos Animais da cidade e, atualmente, ocupa o cargo de vice-prefeito.

“Foi e é muito importante para mim fazer esse contato entre os hospitais. Primeiro, porque sou brasileiro. Segundo, porque eu acho que, hoje em dia, o mundo inteiro está olhando para o Brasil, para o Rio de Janeiro e São Paulo e está vendo que está acontecendo por lá, a batalha deles contra a epidemia da Covid-19”, diz o vice-prefeito. “Se a gente pode dar um apoio, dar uma ajuda, temos que dar. Cada brasileiro que está no mundo tem que fazer um esforço”,

A cidade do Rio de Janeiro está atualmente enfrentando um surto extremamente grave do Covid-19. Até o momento, 46.000 pessoas foram infectadas e mais de 5.000 morreram.

Em Israel, onde houve semanas de confinamento obrigatório, a situação é menos drástica. Em todo o país, o número de infectados não chegou a 20 mil pessoas com pouco mais de 300 mortes. Mas, nas últimas semanas, está havendo um aumento no número de contaminados depois que o país realizou uma reabertura quase total da economia.

“Estamos tentanto voltar à vida normal aqui em Israel. As pessoas estão voltando para o trabalho, as crianças para as escolas, e o comércio está aberto. Mas para prevenir um novo surto epidêmico, as pessoas ainda têm que manter as regras do Ministério de Saúde, que é de usar máscaras, manter distância social e cuidar da higiene. Isso é muito importante”.

 

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