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Conferência internacional sobre a Aids: objetivos em perigo

Especialistas vão discutir o HIV online durante uma semana em conferência virtual.
Especialistas vão discutir o HIV online durante uma semana em conferência virtual. AFP/File
Texto por: RFI
4 min

Milhares de pesquisadores, responsáveis políticos e militantes se reúnem virtualmente a partir desta segunda-feira (6) para a 23ª Conferência da Sociedade Internacional de Aids (IAS, na sigla em inglês). O objetivo é discutir os avanços da epidemia e também a influência da pandemia do coronavírus.

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Simon Roze, RFI

As cidades de Oakland e São Francisco, na California, são as anfitriãs do encontro online. A pandemia de Covid-19 faz parte do programa este ano.

Vários estudos devem tratar da influência da pandemia sobre os sistemas de saúde saturados, problemas de financiamento e tentativas de medir a amplitude do fenômeno, principalmente em termos de falta de material e dificuldades de acesso ao tratamento da Aids.

A pandemia e os isolamentos podem mesmo ter representado um risco de aumento de contaminação, principalmente entre as populações mais expostas e estigmatizadas pelo HIV, como os trabalhadores do sexo, detentos, usuários de drogas e comunidades LGBTI+. Mesmo antes dos números, que devem ser anunciados ao final da conferência, é possível constatar que a Covid-19 agravou a situação epidêmica do HIV.

Objetivo longe de ser concretizado

A ONU fixou 2030 como meta para acabar com a Aids. Para se chegar a isso, um objetivo intermediário foi fixado: o 90-90-90. Isso significa que 90% das pessoas doentes devem ter conhecimento de que estão contaminadas, 90% desses casos confirmados devem ter acesso a medicamentos e, finamente, 90% devem apresentar uma carga viral indetectável, isto é, um tratamento corretamente aplicado que funcione e que as torne menos contagiosas. O tratamento também deve servir como prevenção.

Esse objetivo intermediário do 90-90-90 foi fixado para este ano. Mas os números definitivos serão comunicados pela Unaids na abertura da conferência. Porém, sabe-se de antemão que eles não serão atingidos. Uma má notícia, ainda mais levando-se em conta que o impacto da Covid-19 não terá sido levado em conta e pode, assim, tornar o objetivo ainda mais difícil de ser concretizado.

Apesar de avanços alcançados em termos de prevenção e de tratamento, muitos elementos limitam a aplicação na prática dessas medidas. Assim, as populações mais frágeis continuam sendo o alvo privilegiado do HIV. Por causa do preconceito que sofrem, principalmente por alguns setores políticos, elas se veem geralmente negligenciadas pelos programas de tratamento e prevenção.

Falta de vontade política e fundos

Como também é frequente, o segundo elemento limitador é o financeiro. Para realizar testes em uma região, propor tratamentos e medir cargas virais junto a comunidades é preciso infraestrutura e meios que hoje ainda não são suficientes, apesar do Fundo Mundial contra a Aids, criado no ano passado.

Esse organismo, encarregado de financiar uma parte da luta contra a epidemia, conseguiu angariar US$ 14 bilhões para o período 2020-2022 – isso antes da chegada da Covid-19.

A conferência virtual desta semana deveria ser a ocasião para discutir todos os problemas de política sanitária e de financiamentos na luta contra a Aids. Mesmo se o objetivo de acabar com a epidemia em 2030 parece já ameaçado, é necessário manter esperanças para o futuro.

Mas a 23ª conferência é também um evento científico. Salvo alguma grande surpresa, infelizmente não se pode esperar um milagre vindo dos laboratórios. Na verdade, todos os meios para se chegar ao fim do HIV já existem. Podem ser melhorados, sim, mas o mais importante no momento é a aplicação na prática. Uma vacina poderia mudar o curso dos eventos, mais essa solução ainda parece longe.

 

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