China convoca embaixador americano como protesto contra sanções anunciadas por Washington

Donald Trump sancionou lei que decreta fim de estatuto especial de Hong Kong em 14 de julho de 2020.
Donald Trump sancionou lei que decreta fim de estatuto especial de Hong Kong em 14 de julho de 2020. AFP

A China convocou na quarta-feira (15) o embaixador dos Estados Unidos em protesto contra as sanções anunciadas por Washington em resposta à repressão exercida por Pequim em Hong Kong. O ministério de Assuntos Exteriores chinês prometeu retaliações. 

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“Para proteger seus interesses legítimos, a China dará a resposta necessária e vai impor sanções às pessoas e às entidades americanas envolvidas”, alertou horas antes da convocação do embaixador americano o ministério chinês de Assuntos Exteriores, em um comunicado. “Trata-se de uma ingerência flagrante nos assuntos de Hong Kong e nos assuntos interiores da China”, afirma o documento.

A reação de Pequim chega um dia depois de Donald Trump anunciar o fim do regime econômico preferencial acordado pelos Estados Unidos a Hong Kong. O presidente americano também assinou uma lei que prevê sanções contra a “repressão” no território chinês.

Pressão

Washington aumentou a pressão sobre Pequim nos últimos dias, após a adoção, no fim de junho, pela China, da Lei de segurança nacional em Hong Kong.

“Hoje eu assinei uma lei e um decreto para responsabilizar a China pela repressão da população de Hong Kong”, declarou o presidente americano durante uma coletiva de imprensa na Casa Branca, na terça-feira (14).

O decreto coloca fim ao tratamento preferencial dado a Hong Kong. Um regime especial que permitiu à ex-colonia britânica se transformar em um dos principais polos econômicos mundiais. “Hong Kong será tratado como a China: sem privilégio especial, sem tratamento econômico especial e sem exportações de tecnologias sensíveis”, indicou Donald Trump.

O decreto presidencial prevê a revogação de isenções de licenças para exportações para Hong Kong e o fim do tratamento especial para as pessoas com um passaporte do território.

Trump disse que o controle exercido por Pequim sobre Hong Kong marca o fim da potência econômica da ex-colônia britânica. “Nós perdemos um concorrente importante”, acrescentou, prevendo uma fuga de cérebros de Hong Kong. “A liberdade deles foi retirada [...], muitos vão ir embora”, afirmou o presidente americano.

Sanções

Trump também assinou uma lei sobre a autonomia de Hong Kong que prevê sanções contra a repressão no território chinês. Esta lei “dá a minha administração novas ferramentas potentes para fazer os indivíduos e entidades envolvidas na repressão das liberdades em Hong Kong prestarem contas”, sublinhou.

O texto, que foi votado no começo de julho no Congresso americano, visa não somente responsáveis chineses, mas também a polícia de Hong Kong, desencadeando sanções contra restrições de liberdades. A lei também penaliza bancos que, por meio de financiamentos, contribuírem à erosão da autonomia do território.

Liberdade de imprensa

O jornal americano New York Times anunciou na terça-feira que mudaria sua base de operações de notícias digitais de Hong Kong para Seul, na Coreia do Sul. Uma mudança significativa, decidida ao mesmo tempo que o anúncio de Donald Trump sobre o fim do estatuto  privilegiado da região.

Com forte proteção para o discurso livre, próxima da China e com generosas políticas de visto, a ex-colônia britânica foi por muito tempo um importante centro de mídia na Ásia. Diversos meios de comunicação têm bases regionais operando na cidade, incluindo CNN, Bloomberg, Agência France-Presse, Financial Times e Wall Street Journal.

De acordo com o NY Times, alguns empregados do jornal tiveram dificuldades para obter vistos de trabalho, “obstáculos que são lugar comum na China, mas que raramente eram problema na ex-colônia.” A nova lei assinada pela China gerou “incertezas” sobre o futuro da região como polo para o jornalismo na Ásia.

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