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EUA deixam consulado na China e popular cônsul americano de Chengdu vira inimigo público n° 1

Funcionário retira a placa americana da fachada do prédio onde funcionava o consulado dos Estados Unidos de Chengdu, neste sábado 25 de julho de 2020.
Funcionário retira a placa americana da fachada do prédio onde funcionava o consulado dos Estados Unidos de Chengdu, neste sábado 25 de julho de 2020. NOEL CELIS / AFP
Texto por: RFI
3 min

Os funcionários do consulado americano de Chegdu fizeram suas malas e deixaram o local neste sábado (25), um dia depois de receber a ordem de Pequim, decidida em retaliação ao fechamento da missão diplomática chinesa de Houston. A escalada da tensão entre a China e os Estados Unidos, que se acusam mutuamente de espionagem, tem ares de Guerra Fria. O diplomata americano responsável por Chengdu, que era um dos cônsules mais populares da China, é agora considerado inimigo público número 1.

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Com informações de Simon Leplâtre, correspondente da RFI em Xangai

A diplomacia não significa somente as relações entre governos, ela é também animada por personalidades que atuam individualmente para aproximar culturas. O cônsul americano de Chengdu, que fala corretamente chinês, não media esforços para se integrar à comunidade, inclusive cantando publicamente canções populares chinesas ao lado de sua mulher e filhos.

A atitude era apreciada pela população, mas agora com a confrontação aberta entre a China e os Estados Unidos, o diplomata é alvo de duras críticas. Sua mulher, uma jornalista especializada em culinária de origem taiwanesa, também é atingida. Em sua página na rede social chinesa Weibo, os posts elogiosos foram substituídos por insultos nacionalistas.

Milhões de chineses acompanharam fechamento do consulado

A China não tardou a retaliar a decisão dos Estados Unidos de fechar o consulado chinês de Houston, polo mundial de pesquisas médicas e biológicas. Washington acusou o local de ser ”um centro de espionagem” e "de roubo de propriedade intelectual" americana.

Pequim ordenou na sexta-feira (24) o fechamento da representação diplomática americana de Chengdu, que era um dos cinco consulados dos EUA na China continental. O prédio foi esvaziado neste sábado. Dezenas de pessoas se reuniram em frente ao local, vaiando os carros que deixavam a representação diplomática da cidade de 16 milhões de habitantes no sudoeste da China. A cena foi transmitida ao vivo pela internet. Milhões de internautas chinês acompanharam a transmissão que deu destaque para a retirada da placa americana do local.

A decisão de fechar o consulado americano em Chengdu é "uma resposta legítima e necessária às medidas não razoáveis dos Estados Unidos", reforçou o ministério chinês das Relações Exteriores em um comunicado. "Alguns funcionários do consulado dos Estados Unidos de Chengdu se dedicaram a atividades que vão além de suas funções, intrometendo-se nos assuntos internos da China, e têm colocado em perigo a segurança e os interesses chineses", denunciou à imprensa o porta-voz do ministério, Wang Wenbin.

Escalada da tensão

Nas últimas horas, a Casa Branca pediu a Pequim que ponha fim a seus "atos nefastos", em vez de adotar represálias, embora tenha evitado mencionar uma possível resposta ao fechamento de seu consulado na China.

A tensão entre China e Estados Unidos, já alimentada por disputas comerciais e acusações mútuas sobre a origem da pandemia de Covid-19, se acirrou nas últimas semanas com a imposição, por parte de Pequim, de uma lei de segurança nacional em Hong Kong. Em outro ponto de conflito, os Estados Unidos acusam Pequim de violação dos direitos humanos contra a minoria uigur em Xinjiang, no noroeste da China.

A reação chinesa parece relativamente comedida. Nas redes sociais, nacionalistas chineses pediram ao regime comunista para fechar o consulado dos Estados Unidos em Hong Kong, consideravelmente maior e mais estratégico que o de Chengdu. "Por enquanto, parece que a China optou por uma resposta gradual em vez de uma reação [...] que provocaria uma resposta americana", comentou o sinólogo Victor Shih, da Universidade da Califórnia em San Diego.

Em mais um sinal da desconfiança que impera, o governo americano anunciou na sexta-feira ter detido uma pesquisadora de nacionalidade chinesa que estava refugiada no consulado de seu país em San Francisco para evitar ser presa. Ela é acusada de ter ocultado seus vínculos com o Exército chinês para obter um visto.

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