Países que relaxaram quarentena voltam a ter alta de Covid-19

Modelo desfila em evento de moda em Seul (24/07/2020)
Modelo desfila em evento de moda em Seul (24/07/2020) REUTERS - KIM HONG-JI

Os casos de coronavírus voltam a crescer no mundo e indicam que a Covid-19 circula novamente em todas as regiões do planeta, inclusive nos países que já passaram pelo pico de contágios da doença. Nos Estados Unidos, no Brasil e na Índia, os três mais atingidos, o número de contaminações segue em alta. Mas o fenômeno também ocorre em Austrália, Japão, Hong Kong e França, entre outros.

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Essa expansão da Covid-19 atinge países que já passaram por medidas de isolamento e flexibilizaram a quarentena nos últimos dois meses. A Coreia do Sul, que em fevereiro era o segundo país mais afetado pela epidemia, atrás da China, anunciou neste sábado (25) ter tido o maior aumento de registros de coronavírus desde março, com 13 novas infecções em 24 horas.

É a primeira vez, desde 1º de abril, que o país volta a ter mais de 100 contágios em um único dia. A Coreia do Sul é um dos exemplos mundiais em controle da doença, ao adotar uma estratégia de testagem em massa da população e isolamento dos infectados e seus contatos.

O governo afirma que a maioria dos novos casos (86) foram "importados" por pessoas que chegaram do exterior. Todos os viajantes que desembarcam em território sul-coreano devem se submeter a uma quarentena de 14 dias.

Circulação do vírus “em claro aumento” na França

A volta da circulação entre os países é um dos focos de preocupação. Na França, as autoridades sanitárias advertiram que a circulação viral está “em claro aumento”, nestas férias de verão no hemisfério norte. O país teve 1.130 novos casos registrados de quinta (23) para sexta-feira (24), número comparável ao verificado nos últimos dias de quarentena, em maio.

O governo francês tem reforçado as recomendações de segurança sanitária e adotou uma série de medidas para controlar o aumento da epidemia. Os testes de Covid-19 se tornaram obrigatórios para os viajantes de 16 países que desembarcarem na França, entre eles, o Brasil.

Turistas tiram fotos em frente à Mona Lisa, no Museu do Louvre, reaberto ao público desde o início de julho, em Paris. (06/07/2020)
Turistas tiram fotos em frente à Mona Lisa, no Museu do Louvre, reaberto ao público desde o início de julho, em Paris. (06/07/2020) REUTERS/ - Charles Platiau

O primeiro-ministro, Jean Castex, recomendou aos franceses de não viajarem para a região da Catalunha, na Espanha, onde a alta dos casos de coronavírus levou o governo a ordenar o fechamento de bares e discotecas, a partir desta sexta-feira. A Noruega já decidiu impor restrições de viagens à Espanha, um dos destinos preferidos de férias dos europeus. Já a Alemanha vai passar a oferecer testes de Covid-19 para todos os residentes que retornarem ao país, depois de uma viagem ao exterior.

Aos poucos, medidas de isolamento retornam

No Reino Unido, o uso de máscaras contra a Covid-19 agora é obrigatório em lojas e supermercados – porém, piscinas e academias devem reabrir neste sábado. Já na Bélgica, onde o número de casos também volta a subir, a cidade de Antuérpia decidiu que as reuniões de mais de 10 pessoas voltam a ser proibidas. No Japão, o governo recomendou que os 10 milhões de habitantes de Tóquio fiquem em casa desde quinta-feira, início de um feriadão no país.

Nos Estados Unidos, onde o número de mortos pela doença ultrapassa 145 mil, mais 70 mil casos foram notificados em 24 horas. O presidente Donald Trump, que já suspendeu os vistos para o solo americano, agora mira nos estudantes estrangeiros, que não poderão mais entrar nos Estados Unidos se a instituição de ensino à qual estão vinculados oferecer aulas apenas pela internet.

Enquanto isso, a rede McDonald’s de fast foods anunciou que passará a exigir que seus clientes utilizem máscaras de proteção. A Organização Mundial da Saúde declarou nesta sexta-feira que "não voltaremos ao nosso antigo normal", e a "pandemia já mudou a nossa forma de viver".

Com informações Reuters e AFP

 

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