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Hong Kong: governo adia eleições legislativas por causa do coronavírus; China aprova decisão

A chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, anunciou nesta sexta-feira o adiamento das eleições legislativas que estavam previstas para setembro devido ao aumento de casos de coronavírus, uma decisão que pode aumentar a revolta da oposição.
A chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, anunciou nesta sexta-feira o adiamento das eleições legislativas que estavam previstas para setembro devido ao aumento de casos de coronavírus, uma decisão que pode aumentar a revolta da oposição. AP - Kin Cheung
Texto por: RFI
4 min

A China expressou seu apoio à decisão de Hong Kong de adiar as eleições legislativas por um ano devido ao novo coronavírus. A decisão, anunciada nesta sexta-feira (31) pela chefe do executivo local, Carrie Lam, foi denunciada pelo movimento pró-democracia e pode aumentar a revolta da oposição.

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Inicialmente previsto para setembro, o pleito foi suspenso, de acordo com Lam, devido ao aumento dos casos de Covid-19 no território semiautônomo.  "Hoje anuncio a decisão mais difícil dos últimos sete meses [...] que é a de adiar as eleições para o Conselho Legislativo", afirmou em referência ao Parlamento de Hong Kong.

"Isso é necessário, razoável e legal", disseram, de sua parte, o Departamento de Assuntos de Hong Kong e Macau em um breve comunicado. "O governo central entende completamente essa decisão e a apoia", acrescentou Pequim.

Mais da metade dos 3.272 casos de coronavírus registrados em Hong Kong foram diagnosticados desde o início de julho. "Seria o colapso total do nosso sistema constitucional", alertou em comunicado, antes do anúncio do adiamento do pleito, uma coalizão de partidos democratas.

A resistência continua

O movimento pró-democracia em Hong Kong já havia sofrido um primeiro revés com a desqualificação de seus candidatos, prisões de estudantes e saída para o exílio de figuras da oposição. Na quinta-feira (30), as autoridades anunciaram a invalidação das candidaturas de 12 ativistas pró-democracia nessas eleições. Em nota, o executivo elaborou uma longa lista dos motivos, citando o fato de que alguns candidatos criticaram a lei de segurança ou se recusaram a reconhecer a soberania chinesa.

"Nossa resistência continuará e esperamos que o mundo esteja ao nosso lado nas batalhas vindouras", disse Joshua Wong, que em 2014 foi o rosto da "Revolução dos Guarda-Chuvas", que pedia eleições livres.

Porém, um ano após as manifestações sem precedentes na ex-colônia britânica, o poder central chinês vem empreendendo uma forte influência em seu território semiautônomo, através de uma lei draconiana de segurança nacional imposta no final de junho. Para muitos oponentes, trata-se do desmantelamento do princípio "um país, dois sistemas", que deveria garantir, até 2047, liberdades desconhecidas em outros lugares da China continental.

As semanas que se seguiram à adoção da nova legislação confirmaram o aumento da tensão, com uma repressão brutal contra ativistas pró-democracia.

Um dos principais líderes do movimento pró-democracia de Hong Kong, Joshua Wong, chamou hoje de "fraude eleitoral" o indeferimento das candidaturas de 12 ativistas nas eleições legislativas de setembro.
Um dos principais líderes do movimento pró-democracia de Hong Kong, Joshua Wong, chamou hoje de "fraude eleitoral" o indeferimento das candidaturas de 12 ativistas nas eleições legislativas de setembro. AP - Kin Cheung

Adiamento das eleições legislativas

A invalidação das candidaturas aconteceu menos de 24 horas após a prisão, na noite de quarta-feira (29) de quatro estudantes de 16 a 21 anos - três homens e uma mulher - ex-membros de uma organização que defendia a independência. Essas foram as primeiras detenções da unidade policial de Hong Kong criada para fazer cumprir a lei de segurança. Os quatro foram libertados sob fiança.

A decisão de adiamento das eleições legislativas aumentou o descontentamento do campo pró-democracia, que desafiou Lam a usar a pandemia para se proteger de uma derrota nas urnas. "Esta é uma decisão política desonesta e desprezível, cujo objetivo é impedir que os democratas ganhem a eleição", disse a parlamentar da oposição Claudia Mo, alertando sobre o risco de uma explosão de indignação popular.

Mais de 600.000 eleitores de Hong Kong participaram, em meados de julho, das primárias organizadas pelo campo pró-democracia nesta cidade de 7,5 milhões de habitantes. A consulta foi considerada um grande sucesso popular.

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