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Médicos e enfermeiros denunciam condições de trabalho na luta contra pandemia e são censurados

Médicos e enfermeiros, na linha de frente da luta contra a pandemia, são os mais expostos e nem sempre podem reclamar da situação.
Médicos e enfermeiros, na linha de frente da luta contra a pandemia, são os mais expostos e nem sempre podem reclamar da situação. REUTERS - CALLAGHAN O'HARE
Texto por: RFI
4 min

Profissionais na linha de frente da luta contra a pandemia de Covid-19 em vários países continuam reclamando da falta infraestrutura e de material adequeado para combater a doença. Nos Estados Unidos, epicentro da pandemia, médicos e enfermeiros afirmam serem vítimas de censura e represálias quando ameaçam denunciar suas condições de trabalho.

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Um estudo divulgado pela revista científica The Lancet no final de julho confirmou que os profissionais do setor da saúde correm 3,5 vezes mais chances de serem contaminados pela Covid-19 que o restante da população. A pesquisa, realizada nos Estados Unidos e no Reino Unido entre março e abril, também aponta que o risco de contágio entre médicos e enfermeiros é 1,3 vez maior entre os que não têm acesso a equipamentos de proteção adequado.

O estudo apenas confirma o receio dos profissionais da saúde que, desde o início da pandemia de Covid-19, estão na linha de frente contra o vírus e, por estarem mais expostos, reclamam da falta de infraestrutura e de material para combater a doença. Mas em alguns países, médicos e enfermeiros que tentam alertar para a situação não são bem vistos.

Em alguns casos, eles chegam a ser impedidos de falar com a imprensa, afirmam associações sindicais. Como os funcionários do hospital Langone Health, em Nova Iorque, que receberam, no final de março, uma nota da direção indicando que falar com a mídia sem autorização estava sujeito a “medidas disciplinares, inclusive demissão”.

“Os hospitais amordaçam os enfermeiros e outros trabalhadores do setor da saúde com o objetivo de preservar sua imagem”, denunciou em março na imprensa norte-americana Ruth Schubert, porta-voz de uma associação de enfermeiros.

Auxiliar de enfermagem demitida

Esse foi o caso de Tainika Somerville, auxiliar de enfermagem que trabalhava há dois anos em uma casa de repouso para idosos perto de Chicago. Em março, quando os Estados Unidos começaram a registrar as primeiras vítimas do novo coronavírus, rumores sobre um possível caso de Covid-19 entre os residentes do estabelecimento colocaram os funcionários em alerta.

A direção os tranquilizou, garantindo que testes estavam sendo realizados e que nenhum caso havia sido confirmado. Mas, dias depois, Tainika descobriu que os testes não haviam sido feitos.

“Estávamos muito irritados, pois não foram honestos conosco. Nos diziam o que queriam, mas não era a verdade. No final de março, ficamos sabendo por meio da imprensa que um de nossos residentes havia morrido por causa da Covid-19. E nós nem sabíamos que havia casos de doentes em nosso estabelecimento”, desabafa a auxiliar de enfermagem, que já vinha reclamando da falta de material de proteção para os funcionários.

Diante da situação, Tainika decidiu lançar um abaixo-assinado com seus colegas e postar um vídeo relatando o caso nas redes sociais. Uma iniciativa que não agradou seus patrões. “Eles me demitiram por que eu denunciei a falta de comunicação, a falta de proteção e a falta de pessoal”, resume.

Desde o início da pandemia histórias como a de Tainika vêm se multiplicando não apenas nos Estados Unidos. Casos similares foram denunciados na Nicarágua, na Rússia, ou ainda no Egito.

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