"É cedo para falar em acidente", diz jornalista libanês sobre explosões em Beirute

A ministra libanesa da Informação, Manal Abdel Samad, ao lado do primeiro-ministro Hassan Diab, em 24 abril de 2020, em Beirute.
A ministra libanesa da Informação, Manal Abdel Samad, ao lado do primeiro-ministro Hassan Diab, em 24 abril de 2020, em Beirute. DALATI AND NOHRA / AFP

Neste dia de luto nacional no Líbano, após as explosões que sacudiram Beirute nesta terça-feira (4), a imprensa francesa dá amplo destaque à mobilização internacional para ajudar os libaneses a superarem esta tragédia e analisa as possíveis causas desse desastre descrito como apocalíptico pelos moradores de Beirute.

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Em entrevista à Rádio França Internacional nesta manhã, o editorialista e co-redator-chefe do jornal libanês O Dia no Oriente  Michel Touma afirma que ainda é cedo para estabelecer as causas da tragédia.

Há duas hipóteses sobre a mesa: a de um acidente, como privilegiam as autoridades libanesas até o momento, que teria sido provocado por negligência na manutenção das 2.750 toneladas de nitrato de amônia armazenadas, há seis anos, no porto da capital libanesa. A segunda hipótese, de acordo com o jornalista libanês, é a da existência no local de um depósito de armas e munição do grupo xiita radical Hezbollah, que teria sido alvo de um ataque israelense ou terrorista, como evocou o presidente americano, Donald Trump. 

Entrevistada pela RFI, a ministra libanesa da Informação, Manal Abdel Samad, disse que "não era certo falar de ataque" no atual ponto das investigações, e concordou que o mais prudente é "aguardar os resultados, que devem estar concluídos em cinco dias". A ministra afirmou, por outro lado, que o governo libanês adotará sanções severas contra os autores desse crime, principalmente na hipótese de negligência. 

O jornalista Michel Touma questiona por que o porto de Beirute armazenava uma tal quantidade de nitrato de amônia, um produto que em doses elevadas pode se tornar inflamável na presença de substâncias combustíveis ou fontes intensas de calor. Nas redes sociais libanesas, internautas recordam que, recentemente, as autoridades na Alemanha fizeram uma campanha contra militantes do Hezbollah que estavam acumulando estoques de nitrato de amônia em diversas cidades alemãs. 

Pentágono rejeita declarações de Trump 

O jornal Le Monde e o canal de TV LCI destacam que uma fonte oficial do Pentágono rapidamente contradisse a hipótese de atentado evocada por Trump, alegando não haver indícios nesse sentido. Oficiais americanos procurados pela agência Reuters também disseram não ter informações sobre um eventual ataque.  

Le Monde destaca que de Washington a Teerã, passando por Paris e o Kuait, as promessas de ajuda ao Líbano se multiplicam. O país atravessa a pior crise sociail e econômica de sua história, administrado por uma elite apontada como corrupta e desconectada dos interesses da população.

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