Novo protesto em Beirute reúne milhares e é marcado por confrontos entre polícia e manifestantes

Praça dos Mártires, epicentro da contestação popular desde outubro passado, foi tomada novamente por manifestantes quatro dias após as explosões que devastaram bairros inteiros na região portuária da capital libanesa.
Praça dos Mártires, epicentro da contestação popular desde outubro passado, foi tomada novamente por manifestantes quatro dias após as explosões que devastaram bairros inteiros na região portuária da capital libanesa. REUTERS - HANNAH MCKAY

Milhares de pessoas se reuniram na tarde deste sábado (8) em Beirute para manifestar contra as autoridades do país, quatro dias após as explosões que devastaram bairros inteiros na região portuária da capital libanesa. O protesto foi marcado por confrontos com a polícia.

Publicidade

O protesto começou de forma pacífica, até os manifestantes tentarem ultrapassar o perímetro de segurança instalado nos arredores do Parlamento libanês. A polícia reagiu lançando bombas de gás lacrimogênio, enquanto alguns participantes atiravam pedras. Tiros foram ouvidos e mais de 100 pessoas ficaram feridas, segundo a Cruz Vermelha.

Logo depois, um grupo atacou o prédio do ministério das Relações Exteriores. A cena foi filmada pela televisão libanesa enquanto manifestantes gritavam que o local tinha se tornado o "quartel-general da revolução".

Na Praça dos Mártires, epicentro da contestação popular desde outubro passado e onde os manifestantes se reuniram neste sábado sob o lema "Dia do Julgamento", guilhotinas foram instaladas. Em um dos cartazes, era possível ler a mensagem “demissão ou enforcamento”.

Inércia do governo

O protesto é mais uma reação da população após as explosões de terça-feira (4) no porto de Beirute, que deixaram pelo menos 6 mil feridos e 158 mortos, segundo o balanço mais recente. Uma primeira manifestação foi realizada na quinta-feira (6) e também foi marcada por confrontos com as forças de ordem.

As explosões no porto serviram de estopim para novas manifestações em um país que já atravessava uma grave crise política e econômica. Os manifestantes reclamam da inércia do governo, que é acusado de corrupção.

“O povo quer a queda do regime”, gritavam os manifestantes neste sábado, enquanto outros carregavam bandeiras com os dizeres “Assassino”.

A tragédia de terça-feira no porto, cujas circunstâncias ainda não estão claras, teria sido causado por um incêndio que afetou um enorme depósito de nitrato de amônio, um produto químico perigoso.

O presidente Michel Aoun, cada vez mais criticado, deixou claro na sexta-feira (7) que se opõe a uma investigação internacional, dizendo que as explosões poderiam ter sido causadas por negligência ou por um míssil. Cerca de vinte funcionários do porto e da alfândega foram presos, segundo fontes judiciais e de segurança.

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.