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Líbano: diante da pressão popular, ministra da Informação renuncia

Manal Abdel Samad deixou o ministério da Informação neste domingo (9), por não poder "responder às expectativas" da população.
Manal Abdel Samad deixou o ministério da Informação neste domingo (9), por não poder "responder às expectativas" da população. Dalati Nohra/Handout via REUTERS
Texto por: RFI
4 min

A ministra da Informação do Líbano, Manal Abdel Samad, apresentou sua renúncia neste domingo (9). Essa é a primeira demissão de um membro do governo libanês após as violentas explosões no porto de Beirute na terça-feira (4), que deixaram 158 mortos e reacenderam a revolta da população contra os políticos do país.

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Paul Khalifeh, correspondente da RFI em Beirute

No dia seguinte de uma manifestação que levou milhares de pessoas às ruas da capital libanesa, a ministra da Informação, Manal Abdel Samad, anunciou sua saída do governo. "Apresento minhas desculpas ao povo libanês porque não pudemos responder às suas expectativas", afirmou em alocução na TV.

Samad justificou sua renúncia declarando que as mudanças desejadas pela população ainda não podem ser realizadas. Próxima do líder druso Walid Joumblatt, a ex-ministra também fez um apelo por novas eleições legislativas e uma investigação internacional sobre as explosões no porto de Beirute.

A demissão de Samad fragiliza ainda mais o governo do primeiro-ministro Hassan Diab. No sábado (8), o premiê prometeu anunciar em breve a realização de eleições legislativas antecipadas e se declarou disposto a permanecer no poder até que as diferentes forças políticas se organizem. 

Cratera de 43 metros

Segundo Diab, a tragédia foi causada por 2.750 toneladas de nitrato de amônio armazenadas por seis anos no porto de Beirute "sem medidas de precaução". De acordo com o último balanço oficial, 158 pessoas morreram e 6.000 ficaram feridas nas explosões. 

A deflagração provocou uma cratera de 43 metros de profundidade, anunciou uma fonte de segurança neste domingo. Bairros inteiros da capital foram devastados pelas explosões e centenas de milhares de libaneses ficaram desabrigados.

Em um Líbano já atingido por uma crise econômica sem precedentes, agravada pela pandemia de Covid-19, a tragédia piora ainda mais a situação do país. Por isso, a ONU e a França organizam uma conferência internacional por videoconferência neste domingo, três dias após a visita do presidente Emmanuel Macron a Beirute. 

A ajuda internacional continua chegando ao Líbano. Voos levando alimentos e medicamentos do Irã, da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos aterrissaram no Líbano na sexta-feira (7), seguindo os passos de países como França, Kuwait, Catar e Rússia. Paris montou uma "ponte aérea e marítima" para a entrega mais de 18 toneladas de material médico e quase 700 toneladas de alimentos. 

Uma morte e dezenas de feridos nos protestos

Novas manifestações são esperadas neste domingo no Líbano, um dia após uma enorme mobilização marcada por confrontos com a polícia. Militantes se dizem revoltados contra uma classe política acusada de corrupção por meses e agora por negligência após as explosões. 

No sábado (8), milhares de manifestantes se reuniram na Praça dos Mártires e alguns invadiram brevemente os ministérios das Relações Exteriores, da Economia e da Energia, bem como a Associação de Bancos. As forças de segurança tentaram acabar com o protesto atirando bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha contra os manifestantes, que revidaram jogando pedras. 

Um membro das forças de segurança morreu durante os confrontos. Cerca de 65 pessoas tiveram de ser hospitalizadas e 185 foram atendidas no local, de acordo com a Cruz Vermelha Libanesa.

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