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Família que faz capoeira unida permanece unida

Áudio 05:49
Família de capoeiristas: Cezar, Ana Carina e os filhos Matheus, Alice e Isaac.
Família de capoeiristas: Cezar, Ana Carina e os filhos Matheus, Alice e Isaac. © arquivo pessoal

A história da família Lacerda Castello Branco, que mora em Lausanne, na Suíça, está diretamente relacionada à capoeira, essa manifestação cultural tipicamente brasileira. Cezar Castello Branco, Ana Carina Lacerda e seus três filhos, incluindo a caçula Alice, de apenas 2 anos e meio, praticam capoeira. Mas não é só isso. Eles fizeram da prática um ganha-pão, um meio de ganhar a vida na cara Suíça. Há mais de dez anos, eles são responsáveis por uma associação que oferece aulas – inclusive a distância - para crianças, jovens e adultos, e que já soma mais de 160 alunos.

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Valéria Maniero, correspondente da RFI na Suíça 

“No ano de 2009, nós fundamos a associação que se chama Biriba's Capoeira, que oferece cursos, palestras, espetáculos, manifestações de rua. Nós temos um bloco de capoeira também, que desfila todo ano no carnaval de Lausanne, que é uma das maiores festas populares do país. As crianças podem iniciar os cursos de capoeira a partir de 2 anos e meio. Temos uma diversidade incrível de pessoas vindas de diversas culturas”, explica o contramestre Cezar. 

Para ele, a capoeira fascina os estrangeiros “em razão de sua expressão artística, de sua historicidade, musicalidade”. Além disso, há muitos benefícios para quem pratica, em sua opinião, porque ajuda na sociabilização e na manutenção da saúde física. 

Cezar relata que a atividade favorece a inclusão de pessoas de diversas culturas em um momento único, em que elas podem cantar, dançar, jogar e brincar. Por isso mesmo, acredita Ana Carina, elas acabam aprendendo também um pouco mais sobre a cultura brasileira, se interessando por outras manifestações culturais, como o forró e a própria língua portuguesa. 

“Eu acho incrível o fato da capoeira sair do Brasil, vir pra cá, e muitos estrangeiros aprenderem a nossa língua por meio do canto da capoeira, das cantigas. Eu fico encantada com isso”, ela admite.  

História de amor que começou na capoeira 

A capoeira também foi o "cupido" do casal, digamos assim. Ana Carina conta como a história de amor deles começou, tendo por cenário uma roda de capoeira.

“Eu conheci Cezar na capoeira justamente, há 18 anos, lá em Salvador, na Bahia. Nós éramos alunos do mesmo mestre de capoeira. E aí ele teve a oportunidade de vir para cá, para a Suíça, para desenvolver um trabalho com capoeira e acho que um ano e meio depois ele me trouxe. Então, desde que a gente chegou na Suíça, trabalha com capoeira. Depois, é óbvio, segui outros rumos, fiz diversas formações, trabalhei com outras coisas, mas a capoeira sempre se manteve na nossa vida. Os três meninos são apaixonados por ela. A minha vida toda também fiz capoeira”. 

É uma família de capoeiristas mesmo, diz Ana Carina, que não deixou de praticar nem mesmo quando estava grávida dos filhos. “Os meninos já nasceram nesse berço."

Ana Carina e o marido, Cezar, quando a brasileira estava esperando a terceira filha, Alice.
Ana Carina e o marido, Cezar, quando a brasileira estava esperando a terceira filha, Alice. © arquivo pessoal

A visão das crianças 

Filho mais velho do casal, Isaac, 10 anos, explica por que gosta da atividade: “Eu gosto da capoeira porque é um esporte coletivo. A gente canta junto, dança, toca instrumento, faz capoeira. E também o que é bom é que toda a família faz a capoeira. E eu acho importante que meu pai nos ensine, nos transmita a cultura.”. 

Para o irmão Matheus, de 8 anos, a prática ajuda a fazer novas amizades. “Gosto da capoeira porque eu vi meu pai fazendo desde quando eu era pequenininho. Me interessei porque gosto de fazer salto mortal, acrobacia, e meus colegas da escola, quando me viram fazer isso, se interessaram muito e perguntaram se eles podiam fazer capoeira comigo. E aí eu os levei para a capoeira. A gente pode fazer muitos amigos”, conta o menino.

A pequena Alice, de 2 anos e meio, não ficou de fora da entrevista. Quando questionada se ela gostava da atividade, a menina logo respondeu: “Simmmmm. Eu gosto de tudo”.

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