Alemanha pede diálogo entre Grécia e Turquia para evitar uma "catástrofe"

O navio turco de pesquisas "Oruc Reis" foi enviado para uma área do mar Mediterrâneo disputada com a Grécia.
O navio turco de pesquisas "Oruc Reis" foi enviado para uma área do mar Mediterrâneo disputada com a Grécia. Semih Ersozler/DHA via AP

O governo alemão pediu nesta terça-feira (25) que Grécia e Turquia resolvam em um diálogo direto suas diferenças sobre uma zona do Mediterrâneo oriental rica em hidrocarbonetos. Berlim alertou para o risco de um confronto militar na região.

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A Alemanha iniciou nesta terça-feira (25) uma missão de mediação entre Grécia e Turquia para tentar acalmar a tensão entre os dois países, provocada pela exploração de combustíveis.

"A situação atual no Mediterrâneo Oriental é como brincar com fogo", disse o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Maas, em sua segunda visita a Atenas em menos de um mês. "Cada pequena faísca pode provocar uma catástrofe".

O chefe da diplomacia alemã se reuniu com o colega grego, Nikos Diendas, e com o primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis. Todos insistiram na "necessidade de uma desescalada" da tensão.

Mass seguirá para Ancara, onde se encontrará com o ministro das Relações Exteriores da Turquia, Mevlut Cavusoglu.

Os dois países disputam uma área do mar Mediterrâneo onde foram descobertas grandes quantidades de gás natural. No início do mês, o governo turco enviou um navio de pesquisas para a zona de disputa de fronteiras escoltado por barcos militares.

A União Europeia pede à Turquia que interrompa "imediatamente" a busca por reservas de gás no Mediterrâneo e prevê abordar o tema, que afeta diretamente Grécia e Chipre - membros do bloco econômico- em uma reunião nos dias 27 e 28 de agosto em Berlim.

Disputa por gás natural

Por temer ficar de fora da divisão das grandes reservas de gás natural encontradas no Mediterrâneo, Ancara enviou em 10 de agosto navios a uma zona reclamada pela Grécia, o que provocou tensões com Atenas e preocupação na Europa.

Na última sexta-feira, o turco Recep Tayyip Erdogan deu sinais de que a crise continua, ao anunciar a descoberta de uma grande reserva de gás no Mar Negro e dizer que o país aceleraria suas prospecções na região.

Na segunda, Atenas anunciou que a partir desta terça-feira pretende realizar manobras militares no Mediterrâneo oriental. A resposta de Erdogan foi acusar o vizinho de semear o caos.

(Com informações da AFP e Reuters)

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