Coreia do Sul intensifica medidas contra Covid-19 para conter alta dos focos de contágios

Uma mulher com máscara anda nas ruas de Seul, capital da Coreia do Sul, que intensificou medidas contra a Covid-19 neste domingo (30) por conta da multiplicação de clusters.
Uma mulher com máscara anda nas ruas de Seul, capital da Coreia do Sul, que intensificou medidas contra a Covid-19 neste domingo (30) por conta da multiplicação de clusters. REUTERS/Kim Hong-Ji//File Photo

Pelo terceiro dia consecutivo, os novos casos de contaminação por coronavírus permanecem abaixo dos 300 casos diários na Coreia do Sul (299 neste sábado), mas as autoridades sanitárias continuam mobilizadas diante do ressurgimento da pneumonia viral. Um novo endurecimento das medidas de restrição da Covid-19 na Grande Seul entra em vigor neste domingo (30).

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Stéphane Lagarde, correspondente regional da RFI

Até agora, a Coreia do Sul conseguiu conter a disseminação do SARS-CoV-2 testando, rastreando e isolando os infectados.

O que mudou nas últimas semanas é a rápida proliferação de focos da doença (clusters), o que torna mais difícil rastrear o curso do vírus. A densidade populacional intensifica o combate: a capital sul-coreana e sua região abrangem metade dos habitantes do país.

A partir deste domingo, estão de volta restrições de consumo de bebidas e alimentos nos estabelecimentos: o café, que os moradores das cidades da Coreia adoram, agora se limita a uma xícara de papelão para levar. Nos restaurantes, o serviço nas mesas é permitido até as 21h; depois deste horários, os clientes também tem que sair com o seu pedido embalado.

As autoridades já haviam proibido as cerimônias religiosas. Clubes esportivos, salas de jogos online, bilhar, karaokê: todas as reuniões com mais de dez pessoas são banidas. A medida muda a vida dos pais: muitos “Hwagon”, aulas de taekwondo, por exemplo, e outras atividades depois da escola também estão suspensas quando mais de dez alunos comparecem.

Teletrabalho e limitação de visitas a idosos

De forma mais geral, as autoridades que comandam a luta contra a Covid-19 pedem para evitar o contato tanto quanto possível. É o fim das visitas a asilos para idosos. Um terço dos funcionários de órgãos governamentais e instituições públicas também terá que trabalhar em casa, e o teletrabalho é fortemente recomendado nas empresas.

Essas novas diretrizes, "adaptadas" a grupos vulneráveis ​​e áreas de risco, estão programadas para durar até o próximo domingo.

A Coreia, que nunca teve isolamento completo até agora, está dando pequenos passos para não bloquear sua economia. O país vive o grau 2,5 de distanciamento social e poderia passar para o nível 3, se o vírus não diminuir a velocidade de contágios.

Diferentes abordagens

Este sistema de classificação quantificado não existia no início da crise de saúde. A escala de alerta então subiu para "Simgak" - "sério" e "muito sério" - como em Daegu, epicentro da epidemia em fevereiro, onde um novo foco foi descoberto neste fim de semana em uma igreja protestante.

"Existem tantas abordagens diferentes para a Covid-19 no mundo", disse Laura Bicker, correspondente da BBC em Seul, na sexta-feira (28). "A Coreia do Sul relata 4.000 casos em um mês e diz que é hora de trabalhar remotamente. O Reino Unido registra 4.000 casos por semana e estima que agora é hora de voltar ao escritório."

A Coreia do Sul já foi considerada um exemplo do gerenciamento da crise sanitária provocada pelo coronavírus. Em fevereiro, o país chegou a ser o segundo mais afetado pela doença, ficando atrás apenas da China. Na época, o Ocidente recém começava a enfrentar a epidemia.

 

 

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