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Líbano: Macron anuncia ajuda suplementar e pressiona classe política por reformas

O presidente francês, Emmanuel Macron, planta uma muda de cedro em Jaj, perto de Beirute. Em 1° de setembro de 2020.
O presidente francês, Emmanuel Macron, planta uma muda de cedro em Jaj, perto de Beirute. Em 1° de setembro de 2020. REUTERS - GONZALO FUENTES
Texto por: RFI
5 min

O presidente francês, Emmanuel Macron, visitou nesta terça-feira (1°) o porto de Beirute e aumentou a pressão sobre as lideranças políticas libanesas, conclamando ao lançamento, "o mais rápido possível", de reformas reais para responder aos anseios da população.

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Com informações da correspondente especial da RFI em Beirute, Valérie Gas

A visita acontece um mês após a terrível explosão no porto da capital libanesa que deixou pelo menos 188 mortos e mais de 6.500 feridos. Macron quis ver de perto a situação em Beirute e entender as necessidades locais. Pela manhã, o presidente visitou o local onde está ancorado o porta-helicópteros Tonnerre, que colabora na entrega de ajuda humanitária francesa ao Líbano.

Emmanuel Macron chegou ao local do porto de helicóptero para um encontro com parceiros da ação humanitária, como a ONU e ONGs libanesas, que vêm tentando colocar ordem na região destruída na explosão de 4 de agosto.

Após várias conversas, o chefe de Estado disse que todos têm pela frente “um desafio organizacional, num contexto de crise política, onde a desconfiança é um veneno”. O presidente francês reforçou as preocupações dos libaneses, que culpam a corrupção no país pelos atuais problemas e temem o desvio de ajuda humanitária.

Apoio financeiro extra

Pragmático, Macron anunciou uma ajuda de € 7 milhões adicionais para as escolas e propôs convocar uma conferência internacional para arrecadar fundos para a reconstrução do Líbano em outubro, em Paris. O presidente francês ainda deve iniciar conversações políticas com seu homólogo libanês, Michel Aoun, e representantes dos partidos que nomearam o novo primeiro-ministro do país, Moustapha Adib.

“Eu só acredito em ações. Acho que há a escolha de um primeiro-ministro em tempo recorde em comparação com a política libanesa contemporânea. Agora deve haver um governo de missão o mais rápido possível, com um programa de reforma que comece no primeiro dia. Aí poderemos começar a ficar otimistas ”, disse o presidente francês. "Esta é a última chance para o sistema libanês", finalizou, anunciando que retornaria ao Líbano em dezembro.

"É uma aposta arriscada que estou fazendo. Estou ciente disso. Estou colocando sobre a mesa a única coisa que tenho: meu capital político", explicou Macron ao site de notícias americano Politico.

O presidente francês conversou com os principais líderes políticos locais durante um almoço no palácio presidencial. Depois, teve encontros na residência do embaixador da França. Macron se reuniu com o novo primeiro-ministro, Moustapha Adib, nomeado segunda-feira (31), algumas horas antes de sua chegada ao país. Desconhecido para os libaneses, este acadêmico de 48 anos era, até agora, embaixador na Alemanha.

Novo governo em 15 dias

Emmanuel Macron conheceu o novo premiê do Líbano já na noite de segunda-feira (31), antes de se encontrar novamente com Moustapha Adib no palácio presidencial em Baabda. Para ele, a nomeação em poucas semanas e não "em seis meses" é "um primeiro sinal" de mudança. Mas "não tenho ingenuidade" e "pressionarei" para que o novo primeiro-ministro "lance reformas estruturais", acrescentou Macron.

A implementação de "reformas reais" para uma melhor governança e contra a corrupção endêmica deve permitir que o Líbano se beneficie do apoio internacional de vários bilhões de euros, até agora bloqueado pelo impasse político.

As discussões com os políticos são um dos pontos mais sensíveis da visita de Emmanuel Macron, especialmente com o poderoso Hezbollah. Muitos países ocidentais, incluindo os Estados Unidos, recusam todo contato com o movimento xiita por causa de suas ligações com o Irã e suas atividades "terroristas". “Não partilhamos dos seus valores, mas será que teremos um papel útil recusando que eles se sentem à mesa? Penso que seria um erro”, explicou Emmanuel Macron.

No fim da noite desta terça-feira, após encontros com políticos libaneses, Emmanuel Macron anunciou a formação de um governo para o Líbano dentro de duas semanas. "As forças políticas estão empenhadas em formar um governo de missão dentro de quinze dias (..) com personalidades competentes”, declarou o presidente francês. 

Emmanuel Macron visita a cantora libanesa Fairouz.
Emmanuel Macron visita a cantora libanesa Fairouz. © twitter

A visita de Macron tem o poder simbólico de mostrar que os libaneses são "como irmãos dos franceses", como proclamou o presidente. Depois de se encontrar com a diva Fairouz, que aos 85 anos é considerada a maior cantora árabe viva, Macron viajou para a Reserva Natural de Jaj, a nordeste de Beirute. O presidente também plantou um cedro, o emblema do Líbano, para celebrar o centenário da criação do Estado do Grande Líbano, em 1º de setembro de 1920, pelo general francês Henri Gouraud.

 

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