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ONU exige investigação sobre envenenamento de Navalny e Alemanha ameaça Rússia com sanções

Michelle Bachelet disse que "o Alto Comissariado não pode simplesmente negar o fato que Alexeï Navalny foi envenenado
Michelle Bachelet disse que "o Alto Comissariado não pode simplesmente negar o fato que Alexeï Navalny foi envenenado Fabrice COFFRINI / AFP
Texto por: RFI
4 min

A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, exigiu nesta terça-feira (8) uma investigação por parte das autoridades russas sobre o ataque contra o opositor Alexeï Navalny, envenenado na Rússia. O principal rival de Vladimir Putin segue hospitalizado na Alemanha e Berlim não descarta impor sanções contra as autoridades russas, apontadas como responsáveis pelo crime.

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Com informações da AFP e do correspondente da RFI em Genebra, Jérémie Lanche

Agora que Alexeï Navalny não está mais em coma, a comunidade internacional começa a se mobilizar ainda mais pedindo explicações sobre o envenenamento do opositor. Por meio de um comunicado, Bachelet disse que "negar a necessidade de uma investigação completa, independente, imparcial e transparente sobre essa tentativa de assassinato não constitui uma resposta adequada". A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos disse ainda que "cabe às autoridades russas investigar com profundidade quem foi o responsável por este crime muito grave, cometido em solo russo".

“O Alto Comissariado não pode simplesmente negar o fato que Alexeï Navalny foi envenenado”, martelou, lembrando que agentes neurotóxicos como o Novichok – que especialistas alemães afirmam ter sido usado para envenenar o opositor – e Polônio-210 são substâncias sofisticadas extremamente difíceis de se obter, o que indica uma operação realizada por profissionais. O Novichok foi projetado na época soviética para uso militar. "Por que usar substâncias como essas? Quem as usa? Como as conseguiram?", completou.

Bachelet disse estar “profundamente preocupada” com “o número de envenenamentos e outras formas de assassinatos visando cidadãos russos ou ex-cidadãos russos, na Rússia ou em outros países”. Ela faz referência a Sergueï Skripal, Alexandre Litvinenko, Boris Nemtsov e Anna Politovskaïa, vítimas de ataques misteriosos e que quase sempre ficaram impunes.

Cortinas de fumaça

Navalny, de 44 anos, principal oponente do Kremlin, está sendo tratado em Berlim, após ter sido transferido da Sibéria, na Rússia. A Alemanha e outros países ocidentais acusam as autoridades russas de envenenamento. Moscou nega qualquer envolvimento neste episódio.

Mas a comunidade internacional não parece convencida. A Alemanha informou estar disposta a considerar "uma bateria" de possíveis sanções contra a Rússia em resposta ao envenenamento, segundo o secretário de Estado alemão para Assuntos Europeus, Michael Roth. Ele disse que tudo dependerá de Moscou, a quem os países ocidentais incitaram a esclarecer o envenenamento de Navalny.

"As autoridades russas ainda têm a possibilidade de mostrar claramente sua vontade de cooperar e esclarecer um crime que continua me deixando sem palavras", ao invés de multiplicar as "cortinas de fumaça", disse o secretário de Estado alemão.

Gasoduto em risco

Berlim não descarta o congelamento do projeto de gasoduto Nord Stream 2, que deve ligar a Rússia à Europa através da Alemanha e do mar Báltico. A decisão será "o resultado de discussões e consultas estreitas em nível europeu", disse Roth.

Ele recordou, porém, que o gasoduto, cujas obras estão paralisadas, "não é o único projeto alemão" e que as possíveis sanções afetariam toda a Europa, visto que existem uma centena de empresas europeias associadas. O chefe da diplomacia alemã, Heiko Maas, também mencionou no domingo (6) a opção de sanções russos que teriam tido um papel no envenenamento.

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