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Após voluntário ter reação adversa "séria", AstraZeneca faz uma pausa nos testes da vacina contra a Covid-19

A vacina da AstraZeneca em parceria com a universidade britânica de Oxford está em fase final de ensaios clínicos. Os testes foram interrompidos depois de uma reação adversa "séria" em um participante.
A vacina da AstraZeneca em parceria com a universidade britânica de Oxford está em fase final de ensaios clínicos. Os testes foram interrompidos depois de uma reação adversa "séria" em um participante. GETTY IMAGES NORTH AMERICA/AFP
Texto por: RFI
5 min

O laboratório AstraZeneca decidiu fazer uma "pausa voluntária" mundial nos testes clínicos de sua candidata à vacina contra a Covid-19, desenvolvida em parceria com a Universidade de Oxford. A razão é que um dos voluntários do estudo apresentou uma "reação adversa séria" não explicada. O imunizante da farmacêutica anglo-sueca é testado no Brasil e em outros países. A Anvisa foi informada sobre a suspensão temporária dos testes, que estão em fase final.

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"Como parte dos testes globais controlados e randomizados em andamento da vacina de Oxford, nosso protocolo de revisão padrão foi acionado e fizemos uma pausa voluntária na vacinação, para permitir uma revisão dos dados de segurança por uma comissão independente", informou um porta-voz da empresa na terça-feira (8). O produto da AstraZeneca é um dos pioneiros na corrida global pela vacina. Cinco mil brasileiros já receberam o imunizante.

"Esta é uma medida de rotina, que deve ser tomada sempre que há uma reação potencialmente inexplicada em um dos testes, enquanto a mesma é investigada, o que garante a manutenção da integridade dos ensaios", assinalou o laboratório. "Durante testes em larga escala, às vezes ocorrem reações, que devem ser analisadas de forma independente", explica a nota.

"Estamos trabalhando para agilizar a revisão deste evento único, para minimizar qualquer potencial impacto no cronograma dos testes", indicou o porta-voz, sem detalhar de onde é o paciente ou a natureza e gravidade de sua reação.

Pausas em testes clínicos não são incomuns, mas esta é a primeira vez que uma interrupção acontece nos testes de uma das potenciais vacinas contra a Covid-19. A AstraZeneca é uma das nove empresas que se encontram na fase 3 e final de testagem.

O jornal americano The New York Times (NYT) relata que o participante que apresentou a suspeita de efeito colateral foi inscrito no Reino Unido. Segundo uma pessoa próxima do caso, ouvida pelo NYT sob anonimato, o voluntário recebeu o diagnóstico de mielite transversa, uma síndrome inflamatória que afeta a medula espinhal e costuma ser desencadeada por infecções virais. A mielite transversa aguda pode se desenvolver em pessoas que têm certas doenças, como esclerose múltipla, neuromielite óptica, doença de Lyme ou lúpus, ou que tomem certos medicamentos. Ainda não se sabe se o diagnóstico feito no voluntário está diretamente relacionado com a vacina da AstraZeneca.

"Nada de anormal", diz médico francês

O presidente da Confederação dos Sindicatos dos Médicos da França, Jean-Paul Ortiz, declarou nesta quarta-feira que "não vê nada de anormal" na suspensão dos testes clínicos com a vacina da AstraZeneca. Ao comentar a decisão, ele indicou que uma paralisação como essa "não causa surpresa" no meio médico "e faz parte do processo de criação de uma vacina, antes de ser colocada no mercado". Ortiz acrescentou que a medida é um sinal "do quanto é difícil fabricar uma vacina eficiente e segura".

O presidente americano, Donald Trump, tem pressionado a indústria farmacêutica a aprovar uma vacina antes da eleição presidencial, em 3 de novembro. Na terça-feira, nove empresas, incluindo a AstraZeneca, divulgaram um comunicado conjunto no qual se comprometem a "apoiar a ciência" nas vacinas contra o novo coronavírus. Os laboratórios reafirmaram que não irão avançar com os produtos antes de avaliá-los cuidadosamente quanto à sua segurança e eficácia.

Reino Unido reforça medidas de restrição

O governo britânico anunciou nesta quarta-feira (9) que irá proibir, a partir da próxima segunda-feira (14), as reuniões com mais de seis pessoas na Inglaterra, a fim de conter o contágio do coronavírus, que voltou a crescer no Reino Unido. Atualmente, essa restrição está fixada em 30 pessoas.

O novo limite será aplicado “a encontros em locais fechados e ao ar livre, em alojamentos privados, espaços públicos exteriores e locais como pubs e restaurantes”, afirma o comunicado do governo. “Devemos agir agora para evitar que o vírus se espalhe”, diz o primeiro-ministro Boris Johnson, de acordo com a nota. “Estamos simplificando e fortalecendo as regras sobre contatos sociais para torná-las mais fáceis de serem entendidas e aplicadas pela polícia”, acrescentou. "É absolutamente essencial que as pessoas cumpram essas regras", completou o líder conservador.

O novo coronavírus já deixou mais de 894 mil mortos no mundo. Ao menos 27,4 milhões de pessoas foram diagnosticadas com a nova infecção viral, desde dezembro passado. Os Estados Unidos são o país mais afetado em número de mortes, com 189.557 vítimas, à frente do Brasil (127.464), da Índia (72.775), do México (67.781) e Reino Unido (41.586).

Com informações da AFP

 

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