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Vacina russa contra o coronavírus será testada em 40 mil moscovitas a partir desta quarta-feira

Amostras da vacina russa Sputnik V, que passa a ser testada em 40 mil moscovitas a partir desta quarta-feira (9).
Amostras da vacina russa Sputnik V, que passa a ser testada em 40 mil moscovitas a partir desta quarta-feira (9). The Russian Direct Investment Fund (RDIF)/Handout via REUTERS
Texto por: RFI
4 min

As autoridades de Moscou anunciaram nesta quarta-feira (9) que começaram a testar a "vacina russa" contra o coronavírus em 40 mil habitantes da capital, última etapa dos testes deste imunizante anunciado com grande alarde em agosto. “Os primeiros participantes foram vacinados hoje nos estabelecimentos médicos da capital”, revelou em nota a vice-prefeita de Moscou, Anastasia Rakova, enfatizando "um dia importante não só para a cidade, mas para todo o país".

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Ao todo, 40 mil moscovitas são convidados a participar deste estudo, em que qualquer habitante de nacionalidade russa, com cobertura médica válida, pode ser voluntário.

A Rússia anunciou no início de agosto que havia desenvolvido a "primeira" vacina contra a Covid-19, desenvolvida pelo instituto de pesquisas Nikolay-Gamaleya. Na ocasião, o presidente Vladimir Putin declarou que uma de suas filhas havia recebido a substância imunizante.

Batizada de Sputnik V, em referência ao primeiro satélite artificial da história, a "vacina russa" foi vista com ceticismo no mundo, principalmente por não ter passado pela fase final de testes no momento em que foi anunciada. De acordo com o site oficial dedicado ao produto, a “fase 3 dos ensaios clínicos, envolvendo mais de 2 mil pessoas” em diversos países, teve início em 12 de agosto, um dia após o anúncio do registro da Sputnik V.

Resultados animadores

Pesquisadores russos publicaram, quase um mês após o anúncio, um primeiro estudo que mostra que o projeto está dando resultados preliminares animadores. O produto desencadearia uma resposta imunológica e não causaria efeitos adversos graves, de acordo com um artigo publicado pela prestigiosa revista britânica The Lancet, após avaliação de um comitê de cientistas independentes.

Esses resultados ainda não comprovam que o imunizante russo proteja de forma efetiva contra a infecção pelo novo coronavírus, o que terá de ser demonstrado em estudos mais amplos, apontam os especialistas.

Mais de 20 países já solicitaram a compra de 1 bilhão de doses da vacina, de acordo com informações do fundo soberano russo envolvido em seu financiamento. No Brasil, o governo do Paraná informou na última sexta-feira (4) que prevê protocolar um pedido na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar os testes do produto russo em voluntários até o fim de setembro.

Muitos países estão engajados atualmente na busca por uma vacina contra o coronavírus, que já matou quase 900 mil pessoas em todo o mundo. Os ensaios clínicos de uma das vacinas em estado mais avançado de pesquisa, desenvolvida pela British University of Oxford e pelo grupo farmacêutico anglo-sueco AstraZeneca, foram suspensos nesta terça-feira (8) para elucidar um possível grave efeito colateral em um dos participantes.

Um compromisso histórico

Nove grandes laboratórios americanos e europeus se comprometeram nesta terça-feira a respeitar as regras científicas em vigor durante os testes já em andamento ou futuros no desenvolvimento de vacinas contra o coronavírus, conscientes da dimensão política que esta busca vem assumindo.

Os grupos, que incluem a americana Pfizer, as britânicas GlaxoSmithKline e AstraZeneca e a francesa Sanofi, evocam em comunicado conjunto “um compromisso histórico (...) de respeitar a integridade do processo científico em seus esforços para reivindicar a autorização de comercialização internacional e homologação das primeiras vacinas contra a Covid-19".

A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou na última sexta-feira (4) que não espera uma vacinação generalizada contra a Covid-19 antes de meados de 2021.

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