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Pantanal é exemplo do declínio de espécies selvagens no mundo, diz especialista da WWF Brasil

Áudio 07:07
Mariana Napolitano, gerente do Programa de Ciências da WWF-Brasil
Mariana Napolitano, gerente do Programa de Ciências da WWF-Brasil © Arquivo Pessoal
Por: Elcio Ramalho
12 min

O relatório Planeta Vivo 2020, publicado nesta quinta-feira (10) pela WWF, traz um cenário alarmante e confirma a destruição acelerada da fauna. Em menos de meio século, de1970 a 2016, houve um declínio de 68% das espécies selvagens da Terra como mamíferos, aves, anfíbios e répteis. A situação na América do Sul e no Brasil, particularmente, é extremamente preocupante diante da degradação dos habitats naturais e outros intervenções humanas, segundo o documento da Ong.

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“O índice representa um declínio médio das populações dessas espécies. Elas não estão extintas. Esse índice mostra para gente o que pode ser o futuro em termos extinções, caso a gente não tome ações nesse momento”, alerta Mariana Napolitano, gerente do Programa de Ciência da WWF Brasil.

“A destruição e degradação dos habitats tanto de espécies terrestres e de água doce e a super-exploração dessas espécies, o barramento do rios… são várias intervenções humanas na natureza que vêm provocando o declínio dessas populações”, explica.

O fenômeno não é novo e revela que a América Latina continua uma das regiões onde as perdas de animais são mais acentuadas e tem se aprofundado.

Além da destruição dos habitats e das mudanças climáticas, a introdução de espécies exóticas e algumas doenças provocadas pelo fungo quitrídeo, que se espalhou em anfíbios nas Américas Central e do Sul, deixam o cenário ainda mais preocupante.   

 “Neste relatório conseguimos adicionar uma série de anfíbios e peixes de água doce, que foram para a América latina. São espécies particularmente sensíveis nas últimas décadas que tiveram suas populações reduzidas. Especialmente na região da América Central e dos Andes, há uma redução importante de anfíbios devido às mudanças climática e proliferação do fungo”, explica Mariana.

Brasil preocupa

A especialista aponta que a situação do Pantanal brasileiro é um dos exemplos do declínio acentuado de animais selvagens, citado no relatório.  

“O veado campeiro depende de áreas e campo limpos e naturais, que estão convertidas para plantações de monoculturas e pastagens. Além disso, vem sofrendo ameaçadas como a caça e as queimadas intensas, que acabam degradando seu habitat e que faz com que a espécie não tenha resiliência para se recuperar”, conta.

O documento, além de trazer avaliação no Brasil de 700 populações e 487 espécies, relata a perda severa histórica em áreas como a Mata Atlântica, onde mais de 80% do Bioma foram perdidos, segundo a especialista. “E a situação se agrava com os altos índices de desmatamento. Tanto no cerrado como na Amazônia, a degradação se manifesta pela atuação de garimpo e pecuária,  além da especulação de terras”, relata.

“O impacto nas espécies de água doce é bem forte no Brasil e também diante da expansão de barragens. Estudos recentes com participação de pesquisadores da ONG indicam que o país perde cerca de 300 Km2 de habitats de água doce por ano na Amazônia

A boa novidade do relatório Planeta Vivo da WWF é que, pela primeira vez, estão sedo observadas proliferações de espécies em regiões onde houve  reversão da tendência de redução das populações. “Há evidências claras de que quando há intervenções de conservação, seja de preservação de espécies, conservação de área protegida, um grande projeto de manejo de uma paisagem, as espécies reagem e têm capacidade de aumentar a sua população”, argumenta.

No entanto, um trabalho contido no relatório aponta que apenas medidas de conservação não serão suficientes para reverter essa situação global de declínio. “Não adianta criar parques naturais, reservas e manter blocos de florestas protegidas se a gente não fizer uma mudança sistêmica na forma como a gente usa e interage com os ambientes naturais”, diz Mariana.

Relação com a Covid-19

Os mesmos problemas apontados para a queda das espécies animais também estão vinculados com o aparecimento de zoonoses que provocam doenças, como a atual pandemia da Covid-19, garante a gerente de Programas de Ciências da WWF Brasil.

“A Covid-19 é uma zoonose, que pula do animal para a espécie humana. O aparecimento dessas zoonoses tem aumentado muito nos últimos anos. Muitas vezes, os motivadores dessas zoonoses são a destruição do meio ambiente, o tráfico de animais, ou seja, o aumento do desequilíbrio da interação do homem com a natureza”, argumenta.

“As mesmas pressões que causam as reduções das populações do índice do Planeta Vivo também estão por trás do aumento de zoonoses e dessa pressão para a saúde humana e outros aspectos para a nossa vida, como a poluição do ar, da água e problemas até de saúde mental. A destruição da natureza não é só um problema para as espécies. Ela também causa impactos severos para a saúde humana e outros aspectos da nossa vida”, conclui.

 

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