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A Semana na Imprensa

Pandemia cria “geração Covid-19” e sacrifica a juventude

Áudio 02:51
Capa da revista L'Obs desta semana: "Geração Covid: Uma juventude sacrificada?"
Capa da revista L'Obs desta semana: "Geração Covid: Uma juventude sacrificada?" © Fotomontagem RFI
Por: Silvano Mendes
6 min

A revista francesa L’Obs desta semana dá destaque em sua capa para uma longa reportagem sobre o que já está sendo chamado de « Geração Covid-19 ». A publicação questiona se uma das consequências da pandemia não seria o surgimento de uma juventude sacrificada pela crise provocada pelo vírus. 

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Não é fácil ter 20 anos em 2020, afirma L’Obs. Além da ansiedade ligada ao contexto sanitário e das preocupações ambientais, os jovens de hoje também têm de enfrentar os efeitos da recessão, que coloca em risco a entrada no mundo do trabalho. 

“Os jovens são os que mais sofrem”, declarou o primeiro-ministro francês, Jean Castex. E as estatísticas mostram que o chefe do governo tem razão. Um em cada seis jovens perdeu seu trabalho durante a crise sanitária. O índice de desemprego na faixa entre 18 e 25 anos explodiu, atingindo 29% em abril.

A situação também é complicada para os que entram agora no mercado profissional. Até aqueles munidos de mais diplomas têm dificuldades na hora de encontrar o primeiro emprego, resume a reportagem. Além disso, L’Obs também aponta o receio de que os diplomas concluídos neste ano escolar, que terminou em julho na França, sejam desvalorizados, já que muitos deles tiveram seus programas perturbados pelo confinamento, com aulas a distância, nem sempre adaptadas. 

O governo tenta conter os estragos e já prepara uma série de medidas econômicas, como a exoneração de impostos para empresas que contratem menores de 25 anos e programas de investimento em contratos subvencionados. No total, € 6,5 bilhão estão sendo desbloqueados para ajudar os jovens que, segundo o presidente francês Emmanuel Macron são a prioridade do momento, ressalta a reportagem. 

“Se a vítimas físicas da Covid-19 são essencialmente as pessoas idosas,  as vítimas econômicas são principalmente os mais jovens”, insiste o sociólogo Julien Damon, entrevistado pela revista. Ele se refere ao fato de que dos mais de 30 mil mortos que a França registrou desde o início da pandemia, apenas 27 óbitos foram de menores de 30 anos, segundo o Santé Publique France, órgão oficial da saúde no país. 

Impacto psicológico 

Mas isso não quer dizer que o surto do novo coronavírus não tem um impacto na saúde dos mais novos, principalmente do ponto de vista psicológico. É o que explica o psiquiatra Serge Hefez, entrevistado pela revista. Segundo ele, esse fenômeno se manifesta principalmente de duas maneiras: há aqueles que desenvolvem um sentimento de raiva intensa, o que poderia explicar o fato de que muitos jovens resistam ao uso máscaras de proteção; e aqueles que se fecham para o mundo, inclusive com um aumento de casos de fobia escolar. De uma maneira geral, o sentimento de impotência é um denominador comum e “pode ser destruidor”, insiste o psiquiatra que diz que, em alguns casos, a incapacidade de se projetar no futuro é tamanha que uma psicoterapia pode ser necessária.  

 

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