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Irã acusa Bahrein de cumplicidade com Israel e traição à causa palestina

Vista de Manama, capital de Bahrein.
Vista de Manama, capital de Bahrein. Getty Images/Jane Sweeney
Texto por: RFI
5 min

O Irã acusou neste sábado (12) as autoridades de Bahrein de "cumplicidade nos crimes" de Israel ao normalizar suas relações com o Estado hebreu, um acordo anunciado na sexta-feira (11) por Donald Trump. Teerã também apontou uma traição à causa palestina.

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"Os líderes de Bahrein serão agora cúmplices dos crimes do regime sionista, assim como uma constante ameaça para a segurança da região e do mundo muçulmano", afirmou o ministério iraniano das Relações Exteriores, em um comunicado divulgado neste sábado.

Na sexta-feira, Bahrein se tornou o segundo país do Golfo a normalizar as relações com Israel, depois do acordo similar alcançado entre Israel e Emirados Árabes Unidos há menos de um mês, e o quarto Estado árabe a estabelecer os laços, após os acordos assinados por Egito, em 1979, e Jordânia, em 1994.

Trump chamou de "histórico" o acordo, que significa o ponto de partida para o restabelecimento de relações diplomáticas e comerciais plenas. "Estão acontecendo coisas no Oriente Médio que ninguém poderia ter imaginado", disse o presidente americano, que dá assim mais um passo adiante na transformação do cenário do Oriente Médio e no isolamento do Irã.

Segundo um dos conselheiros do rei de Bahrein, Khalid al Khalifa, o acordo vai estimular a "segurança, estabilidade e prosperidade" da região.

Netanyahu elogia medida

A Casa Branca afirmou que representantes de Bahrein participarão em uma cerimônia de assinatura programada para terça-feira (15) em Washington, que também terá a presença do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. 

"Estou emocionado de anunciar que esta noite alcançamos outro acordo de paz com mais um país árabe: Bahrein. Este acordo se une à paz histórica com os Emirados Árabes Unidos", declarou Netanyahu na sexta-feira.

Assim como a maioria dos países do Golfo, o Bahrein compartilha com Israel e Estados Unidos a mesma hostilidade a respeito do Irã. O país acusa Teerã de utilizar a comunidade xiita em Bahrein contra a dinastia sunita governante. Bahrein também é sede da V Frota dos Estados Unidos, da qual é muito dependente.

Ao contrário dos Emirados, a oposição à normalização é profunda em Bahrein, cuja sociedade civil é muito ativa, apesar da repressão.

As autoridades dissolveram os principais grupos de oposição, incluindo o xiita Al-Wefaq, que tinha representação no Parlamento até 2011, por supostos vínculos com "terroristas" próximos do Irã. "O acordo entre o regime despótico de Bahrein e o governo de ocupação sionista é uma traição total ao islã e ao arabismo", escreveu Al-Wefaq no Twitter.

"Golpe" à causa palestina

Depois de criticar Bahrein, o governo do Irã também acusou Israel de ter provocado "décadas de violência, massacres, guerra, terror e derramamento de sangue na Palestina, oprimida, e na região".

Na mesma linha, a Turquia condenou o acordo de normalização das relações entre Israel e Bahrein e o chamou de "novo golpe" à causa palestina.

É um golpe contra os esforços de defesa da causa palestina. Vai fortalecer Israel em suas práticas ilegais contra a Palestina e a tornar permanente a ocupação dos territórios palestinos", afirmou o ministério turco das Relações Exteriores em um comunicado.

Segundo as autoridades de Ancara, o acordo se opõe à iniciativa de paz árabe, que pede a retirada completa de Israel dos territórios palestinos ocupados em 1967 em troca de uma normalização das relações, e também às resoluções da Organização de Cooperação Islâmica (OCI).

Até agora existia um consenso no mundo árabe de que a resolução do conflito israelense-palestino era uma condição prévia inegociável para uma aproximação diplomática com Israel.

"Punhalada pelas costas"

A Autoridade Palestina e o movimento Hamas, que controla a Faixa de Gaza, chamaram o acordo de "punhalada pelas costas" e de "agressão" à causa palestina.

Trump, no entanto, afirmou que o acordo também beneficiará os palestinos. "Estarão em uma posição muito boa", disse o líder norte-americano. "Eles vão querer participar (das conversações) porque todos os seus amigos estarão lá", completou.

O presidente egípcio, Abdel Fatah al Sisi, elogiou o acordo, que chamou de "histórico".

Normalizar as relações entre Israel e os aliados dos Estados Unidos no Oriente Médio, incluindo as ricas monarquias do Golfo, é um objetivo chave da estratégia regional de Trump. "À medida que outros países normalizem suas relações com Israel, o que vai acontecer, estamos convencidos de que, com bastante rapidez, a região se tornará mais estável, mais segura e mais próspera", acrescentou o republicano, que disputará a reeleição em novembro.

Ao chegar à Casa Branca em 2017, Trump prometeu uma paz duradoura para israelenses e palestinos e no início do ano divulgou um plano para a região que foi imediatamente rejeitado pelos palestinos, que o consideraram favorável a Israel e que deixava de lado sua aspiração de ter um Estado que conviva ao lado de Israel com fronteiras justas e estáveis.

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