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“Filme francês é instrumentalizado pela direita conservadora nas eleições dos EUA”, diz jornal Libération

Os dois cartazes do fime "Mignonnes": o oficial, à esquerda, e o da Netflix.
Os dois cartazes do fime "Mignonnes": o oficial, à esquerda, e o da Netflix. © Fotomontagem RFI
Texto por: RFI
3 min

O filme francês "Mignonnes" (Gracinhas, em tradução livre) tem provocado polêmica nos Estados Unidos. Nesta terça-feira (15), o jornal francês Libération publica uma análise sobre essa controvérsia, com o título “A extrema direita americana entra na dança”.

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Premiado nos festivais de Berlim (Alemanha) e de Sundance (EUA), o primeiro longa de Maimouna Doucoré estreou nas salas francesas no dia 19 de agosto e pode ser visto nos Estados Unidos pela plataforma Netflix. O filme conta a história de Amy, 11 anos, que vive em um subúrbio popular ao norte de Paris, com a mãe e dois irmãos pequenos. De origem senegalesa e muçulmana, ela assiste ao sofrimento da mãe com o marido polígamo. Num universo de valores morais contraditórios, Amy tenta se ajustar em seu mundo de pré-adolescente pela dança e pelas redes sociais. Mas ela enfrenta muitos obstáculos.

Segundo a jornalista Sandra Onana, que assina a análise do Libération, o filme é um relato de aprendizado feito justamente para denunciar a sexualizão precoce de pré-adolescentes. No entanto, o senador Ted Cruz, ex-candidato à primária republicana para concorrer às eleições presidenciais, anunciou que vai à justiça pedir uma investigação sobre a responsabilidade da Netflix, no que o político chama de “produção e distribuição de pedopornografia”. Segundo a imprensa americana, Ted Cruz teria sinais positivos de Donald Trump para que ganhe uma vaga na Corte Suprema Americana. Outros nomes da ala conservadora também pedem em coro a remoção de “Mignones” da Netflix, além de um boicote à plataforma.

Para o Libération, as acusações são surpreendentes para quem viu realmente o filme, o que não parece ser o caso dos que conseguiram excitar toda a facção conspiracionista do eleitorado republicano, seduzida pelos temas do movimento QAnon. O diário lembra que o filme é francês e que a plataforma apenas adquiriu os direitos de retransmissão. O erro, levanta o texto, pode ter sido do setor de marketing da Netflix, ao escolher um cartaz de divulgação apelativo, bem diferente da imagem apresentada pelo distribuidor francês. 

O jornal Libération se surpreende com o silêncio e a falta de manifestações públicas de apoio à diretora Maimouna Doucouré, por parte de dirigentes do cinema francês. “Um presente de boas-vidas com sabor amargo”, escreve o diário, para mostrar que a cineasta franco-senegalesa não faz parte da elite do cinema na França.

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