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Opositor russo envenenado publica foto no Instagram respirando sem aparelhos em hospital de Berlim

Foto publicada no Instagram pelo líder da oposição russa Alexei Navalny (centro) com sua esposa Yulia (direita) e os filhos (esquerda).
Foto publicada no Instagram pelo líder da oposição russa Alexei Navalny (centro) com sua esposa Yulia (direita) e os filhos (esquerda). AP
Texto por: RFI
5 min

O líder de oposição russo Alexei Navalny publicou nesta terça-feira (15) uma foto em seu perfil no Instagram em que aparece respirando sem a ajuda de aparelhos, no quarto onde está hospitalizado em Berlim. Essa é sua primeira manifestação nas redes sociais, depois de ter sido envenenado em agosto na Sibéria. Segundo sua porta-voz, ele pretende retornar à Rússia quando estiver recuperado. 

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"Olá, aqui está o Navalny", escreveu o opositor de 44 anos no post. "Eu ainda não consigo fazer quase nada, mas ontem [segunda-feira] pude respirar sozinho durante o dia inteiro", afirmou.

Na foto, ele aparece sentado na cama, ao lado da esposa e dos dois filhos. "Gostei muito, é um procedimento surpreendente, subestimado por muitos. Eu recomendo", brincou, antes de afirmar que sente falta dos seguidores.

As declarações foram feitas uma semana depois de Navalny ter saído do coma induzido. Segundo o hospital Charité, de Berlim, ele poderá, em breve, abandonar por completo a respiração artificial. 

Na segunda-feira (14), o governo alemão anunciou que laboratórios da França e da Suécia confirmaram que o opositor foi envenenado com uma substância da mesma família do agente neurotóxico Novichok. Em 3 de setembro, testes realizados na Alemanha apontaram os mesmos resultados. No entanto, a Rússia nega que Navalny tenha sido envenenado.

O opositor passou mal durante um voo entre a Sibéria e Moscou em 20 de agosto. Antes de embarcar, ele bebeu chá no aeroporto, onde suspeita-se que tenha ocorrido o envenenamento. A data coincidiu com o fim da campanha para as eleições locais, que ocorreram em 13 de setembro. Excluído do cenário político e midiático nacional pelo governo russo, o opositor conta com um grande público nas redes sociais. 

Nesta segunda-feira (14), aliados de Navalny comemoraram a vitória em Tomsk e Novosibirsk, duas cidades da Sibéria que ele havia visitado para apoiar os candidatos da oposição e para realizar uma investigação sobre a corrupção da elite local.

Retorno de Navalny à Rússia

Questionada sobre o retorno do opositor à Rússia uma vez recuperado, sua porta-voz respondeu que "nunca houve qualquer dúvida" a este respeito. "Eu entendo por que fazem essa pergunta, mas acho estranho pensar" que ele poderia se exilar, comentou no Twitter.

Vários opositores ou críticos do Kremlin foram envenenados nos últimos anos ou assassinados por outros meios. Em todas as ocorrências, a Rússia rejeitou as acusações contra ela.

O Novichok já havia sido usado contra o ex-agente russo Serguei Skripal e sua filha Yulia, em 2018, na Inglaterra. Para Londres, o GRU, organismo de Inteligência militar russo, é o principal suspeito.

Moscou se recusa a abrir uma investigação sobre o caso do opositor. Antes de Navalny ser levado para a Alemanha, médicos russos afirmaram não ter identificado qualquer substância tóxica em seu organismo quando ele esteve hospitalizado na Sibéria.

Rússia nega ter estoques de Novichok

A Rússia questiona a confiabilidade das análises alemãs, vendo-as como um pretexto para a União Europeia ameaçá-la com novas sanções. Também afirma não ter estoques de Novichok. Esses estoques "foram destruídos de acordo com o protocolo e os regulamentos da Organização para a Proibição de Armas Químicas" (Opaq), disse o chefe da Inteligência externa, Serguei Naryshkin, segundo agências de notícias russas.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, também expressou sua "incompreensão" sobre a recusa do governo alemão de enviar as provas dos exames que apontam para o envenenamento de Navalny. Segundo o Ministério Público da Alemanha, esses documentos só podem ser transmitidos com o consentimento do paciente. 

Sem mencionar o nome do adversário, Peskov declarou que "todos" ficariam "felizes", se Navalny se recuperasse.

Com informações da AFP

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