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OMS recomenda quarentena de 14 dias diante do ritmo "alarmante" de transmissão da Covid-19 na Europa

Franceses com suspeita de infecção pelo coronavírus aguardam para fazer o teste em um dos laboratórios credenciados em Paris.
Franceses com suspeita de infecção pelo coronavírus aguardam para fazer o teste em um dos laboratórios credenciados em Paris. AP - Michel Euler
Texto por: RFI
6 min

A Organização Mundial da Saúde (OMS) demonstrou preocupação, nesta quinta-feira (17), com o "alarmante" ritmo de transmissão do coronavírus na Europa. O diretor da OMS no continente, Hans Kluge, expressou seu temor com a redução da quarentena de 14 para sete dias, já adotada na França e planejada em outros países europeus, no momento em que se enfrenta uma aceleração da pandemia.

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A OMS recomenda a manutenção de 14 dias de isolamento para todas as pessoas que tiveram contato com vírus. "Os números de setembro deveriam servir de alerta para todos nós na Europa, onde o número de casos é superior aos registrados em março e abril, declarou em Copenhague o diretor da OMS no continente.

Na França, que organiza testes de diagnóstico em larga escala – cerca de 1 milhão por semana –, foram registrados 10.000 novos contágios nas últimas 24 horas. Apesar dessa intensa campanha de testagem, os laboratórios franceses têm enfrentado dificuldades para processar os exames e entregar os resultados em no máximo três dias, o que deveria ser a norma. Muitos pacientes aguardam de cinco a seis dias para receber os resultados. Nesse meio-tempo, os casos positivos continuam transmitindo o vírus a terceiros e as pessoas que tiveram contato com o paciente potencialmente também. A redução da quarentena, nesse contexto, se transforma em um fator agravante de contágio.

Na Espanha, a região de Madri é o epicentro da aceleração de casos de Covid-19. Nesta quinta-feira, as autoridades locais recuaram após o anúncio da véspera de possíveis confinamentos seletivos nas áreas mais afetadas pelo coronavírus. O ministro regional da Justiça, Enrique López, reconheceu que a palavra confinamento "gera ansiedade" e destacou que o governo da Comunidade de Madri pretende apenas "reduzir a mobilidade e os contatos" para prevenir os riscos, sem chegar ao extremo de confinar a população. "Temos que fazer o necessário para controlar a situação em Madri", insistiu o ministro espanhol da Saúde, Salvador Illa.

Em todo mundo, a pandemia provocou mais de 941.000 mortes e quase 30 milhões de contágios, de acordo com o balanço atualizado da agência AFP com base nos dados oficiais dos países.

A OMS lançou um plano para obter uma proteção melhor para os profissionais de saúde, expostos, ao lado de suas famílias, a "um nível de risco sem precedentes". Eles representam quase 3% dos habitantes na maioria dos países, menos de 2% nos países mais pobres. Os números compilados pela OMS mostram que 14% dos casos de Covid-19 envolvem profissionais da saúde. "Em alguns países, esta proporção pode alcançar 35%", destaca um comunicado.

13% da população mundial com 50% das futuras vacinas

A pandemia também está agravando de maneira flagrante a fratura entre ricos e pobres. Depois de examinar os acordos assinados pelos laboratórios que estão desenvolvendo as cinco potenciais vacinas mais importantes contra a Covid-19, a ONG Oxfam calculou que um grupo de nações ricas que reúne 13% da população mundial já comprou mais da metade das almejadas doses. "O acesso às vacinas que salvam vidas não deveria depender de onde se vive, ou de quanto dinheiro se tem", declarou o diretor da Oxfam, Robert Silverman.

A mesma discriminação acontece na educação. A pandemia provocou o fechamento das escolas e ameaça apagar os avanços alcançados na última década, particularmente nos países mais pobres, destacou o Banco Mundial. "O capital humano é absolutamente vital para o futuro financeiro e econômico do país, assim como para o bem-estar social", afirmou o presidente da instituição, David Malpass. "Acreditamos que mais de um bilhão de crianças deixaram de ter aulas por culpa da Covid-19", disse, antes ressaltar que a situação "afeta as meninas de maneira ainda maior".

Vacina mobiliza campanha nos EUA

Os Estados Unidos permanecem como o país mais afetado pela pandemia, com quase 197.000 mortes e mais de 6,6 milhões de contágios, seguido por Brasil (134.106), Índia (82.066), México (71.678) e Reino Unido(41.664). A França registra 31.045 vítimas fatais do novo coronavírus.

A gestão da epidemia é um dos temas centrais da campanha para a eleição presidencial de novembro nos Estados Unidos e provoca troca de acusações entre o presidente Donald Trump e seu adversário democrata, o ex-vice-presidente Joe Biden.

Na quarta-feira (15), Trump afirmou que uma vacina contra a Covid-19 estaria pronta no país até outubro, em contradição ao que afirmam os especialistas em saúde de seu governo. "Estamos muito perto da vacina (...) Acreditamos que podemos começar em algum momento de outubro, ou pouco depois", disse Trump.

Mas o diretor dos Centros de Prevenção e Luta contra Doenças (CDC), Robert Redfield, havia afirmado mais cedo no Congresso que uma distribuição "muito limitada" da vacina aos grupos prioritários poderia começar em novembro e dezembro. A implementação completa da vacinação levará meses. "Uma vacina acessível a todos os americanos, que permita retornar à vida normal, não estará disponível até o fim do segundo ou terceiro trimestre de 2021", explicou. "Acredito que cometeu um erro quando disse isso", retrucou Trump.

Para Biden, a recusa do presidente a adotar medidas contundentes contra a pandemia, como decretar diretrizes nacionais sobre distanciamento social e a aplicação de testes, o "desqualifica totalmente" para um segundo mandato. "A primeira responsabilidade de um presidente é proteger o povo americano, e ele não está fazendo isso", declarou o democrata.

Diante dos números no continente americano, a diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Carissa Etienne, fez um alerta sobre os riscos de se retomar uma vida "quase normal" e sobre as flexibilizações prematuras das restrições. "Na semana passada, as Américas alcançaram dois marcos sombrios: mais de meio milhão de mortes e quase 15 milhões de casos foram reportados", disse Etienne, lembrando que grandes populações "continuam vulneráveis".

Com informações da AFP

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