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Opositor russo afirma que tinha veneno no corpo e pede a Moscou que devolva suas roupas para provar o crime

Em sua última foto publicada no Instagram, Navalny homeageia sua esposa,
Em sua última foto publicada no Instagram, Navalny homeageia sua esposa, Instagram account @navalny/AFP
Texto por: RFI
3 min

O opositor russo Alexei Navalny afirmou nesta segunda-feira (21) que a substância neurotóxica Novichok foi detectada em seu organismo e sobre seu corpo. Ele exigiu que o governo russo devolva as roupas que vestia no dia do seu envenenamento, em 20 de agosto. Para ele, as vestimentas são uma "prova vital". 

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"Antes da autorização para a transferência à Alemanha, eles tiraram toda a minha roupa e me enviaram totalmente nu. Levando em consideração que encontraram Novichok em meu corpo e que um método de infecção por contato é muito provável, minha roupa é uma prova material muito importante", escreveu em seu blog o principal opositor do Kremlin, que está internado em um hospital de Berlim.

"Exijo que minhas roupas sejam cuidadosamente empacotadas em uma bolsa de plástico e devolvidas", completou. Navalny, de 44 anos, sofreu um grave mal-estar a bordo do avião que o transportava da Sibéria a Moscou, em agosto, Ele ficou dois dias em um hospital russo, apesar dos protestos de sua equipe, e depois foi levado para a Alemanha. Um laboratório militar alemão concluiu que Navalny foi envenenado com uma substância do tipo Novichok, concebida para fins militares na época soviética. Moscou nega as acusações.

De acordo com colaboradores de Navalny, foram detectados vestígios da substância em uma garrafa de água encontrada no quarto de seu hotel, na Sibéria. Nesta segunda-feira, o opositor ironizou as verificações da polícia de transportes russa depois que ele passou mal no avião. "É como se eu tivesse escorregado em um supermercado e quebrado uma perna", comentou, de modo sarcástico.

A polícia, por sua vez, indicou em comunicado que as investigações "continuam", afirmando ter interrogado até agora "cerca de 200 pessoas" que estiveram em contato com Navalny ou com testemunhas de sua permanência na Sibéria. Ela também disse que havia enviado pedidos de assistência jurídica à Alemanha, França e Suécia, que, segundo afirmou, "não responderam".

"Ministério russo faz tudo para esconder o crime"

 A porta-voz do opositor, Kira Iarmych, estimou no Twitter que "o Ministério do Interior russo está fazendo de tudo para esconder o crime, não para resolvê-lo". Afirmando ter sido intimada pela polícia dos transportes para interrogatório, ela anunciou sua intenção de não comparecer, acusando as autoridades de atrasar o processo para não ter que abrir uma investigação criminal.

Em outra publicação no Instagram, Navalny reservou palavras especiais para a mulher Yulia que, durante as três semanas em que permaneceu em coma, "conversava, cantava e colocava música". "Agora sei com certeza, graças a minha experiência, que o amor cura e te devolve à vida", disse.

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