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Conflitos em Nagorno Karabakh podem gerar nova guerra entre Armênia e Azerbaijão

Uma imagem de um vídeo divulgado pelo Ministério da Defesa do Azerbaijão em 28 de setembro de 2020 supostamente mostra tropas azeris durante confrontos entre separatistas armênios e o Azerbaijão na região de Nagorno-Karabakh.
Uma imagem de um vídeo divulgado pelo Ministério da Defesa do Azerbaijão em 28 de setembro de 2020 supostamente mostra tropas azeris durante confrontos entre separatistas armênios e o Azerbaijão na região de Nagorno-Karabakh. Azerbaijani Defence Ministry/AFP
Texto por: RFI
6 min

Desde domingo (27), separatistas da região de Nagorno Karabakh, apoiados pela Armênia, e as tropas do Azerbaijão se enfrentam nos combates mais violentos na região desde 2016. Ao menos 68 pessoas morreram, de acordo com balanços incompletos. Isto provoca o aumento do temor de uma guerra aberta entre Baku e Yerevan. Os combates se tornaram mais intensos nesta segunda-feira (28) entre Azerbaijão e os separatistas de Nagorno Karabakh, enquanto o presidente turco Recep Tayyip Erdogan, principal aliado de Baku, alimenta os temores de uma escalada ao pedir a retirada da Armênia do conflito.

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O Conselho de Segurança da ONU convocou para terça-feira (29) uma reunião a portas fechadas sobre Nagorno Karabakh, a pedido de países europeus, informaram fontes diplomáticas nesta segunda-feira. Alemanha e França impulsionaram esse encontro, mas outros países europeus - Estônia, Bélgica e Reino Unido - a apoiam, segundo as mesmas fontes.

 A Turquia anunciou apoio total ao Azerbaijão, o que levou a Armênia a acusar o país de interferência política e militar no conflito. "É a hora desta crise, que começou com a ocupação de Nagorno Karabakh, chegar ao fim. Quando a Armênia abandonar o território que ocupa, a região reencontrará paz e harmonia", declarou o presidente turco. "Qualquer outra demanda ou proposta não apenas seria injusta e ilegal, como também significaria seguir consentindo com a Armênia", completou Erdogan.

O Azerbaijão perdeu o controle de Nagorno Karabakh após o colapso da União Soviética e depois de uma guerra que deixou 30.000 mortos, concluída com um cessar-fogo assinado em 1994. A Armênia apresentou um pedido de reintegração à Corte Europeia dos Direitos Humanos (CEDH), braço jurídico do Conselho Europeu.

"A corte recebeu uma solicitação de medidas provisórias por parte da Armênia, e está sendo examinada", declarou uma porta-voz da CEDH. Segundo o artigo 39 da corte com sede em Estrasburgo (França), o tribunal pode adotar medidas de emergência diante de riscos de danos irreparáveis.

"O governo armênio demanda à CEDH que indique ao governo azeri que cesse os ataques militares contra populações civis", afirma um trecho da solicitação armênia. A comunidade internacional pede um cessar-fogo imediato.

 Mais mortos?

O balanço de vítimas pode ser mais grave, já que os dois lados afirmam ter infligido centenas de baixas ao adversário, divulgando em particular imagens de blindados destruídos. Baku afirma ter matado 550 soldados inimigos e Yerevan alega ter eliminado mais de 200.

O ministério da Defesa de Nagorno Karabakh anunciou que reconquistou posições perdidas no domingo. Ao mesmo tempo, o Azerbaijão afirmou que conquistou mais territórios.

As Forças Armadas "atacam as posições inimigas com foguetes, artilharia e aviação. Tomaram várias posições estratégicas nos arredores da localidade de Talych. O inimigo recua", afirmou o ministério da Defesa do Azerbaijão.

Nos últimos anos, o governo de Baku destinou parte importante da receita obtida com petróleo à compra de armamento. Após várias semanas de retórica bélica, o Azerbaijão anunciou uma "contraofensiva" em resposta ao que chamou de "agressão" da Armênia. O país utiliza artilharia, blindados e aviões contra a província controlada pelos separatistas armênios.

Lei marcial

O primeiro-ministro da Armênia, Nikol Pashinyan, acusou o inimigo histórico de seu país de ter declarado "guerra ao povo armênio", enquanto o presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, prometeu "vitória".

O presidente da autoproclamada república de Nagorno Karabakh, Arayik Harutyunyan, afirmou que a "Turquia, não o Azerbaijão", combate contra o território separatista. "Há helicópteros, F-16, tropas e mercenários de diferentes países", disse.

Moscou, que mantém relações cordiais com os dois beligerantes e é considerado um árbitro regional, tem mais proximidade com a Armênia, que integra a Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC), uma aliança militar dominada pela Rússia.

Todos os esforços de mediação para solucionar o conflito fracassaram e os dois países travaram um combate na fronteira norte em julho, os atos mais violentos desde 2016, e que provocaram o temor de desestabilização na região. Os dois Estados decretaram lei marcial e a Armênia uma mobilização geral. O Azerbaijão impôs um toque de recolher em parte do país, incluindo a capital Baku.

Risco de guerra

O aumento da violência na região separatista de Nagorno Karabakh, apoiada por Yerevan, levanta temores de uma grande guerra entre o Azerbaijão e a Armênia no sul do Cáucaso, onde a Rússia e a Turquia competem. Mas, como começaram essas hostilidades?

Depois de semanas de retórica belicista, o Azerbaijão declarou que havia ativado uma vasta "contra-ofensiva", alegando que estava respondendo às provocações armadas de Nagorno Karabakh, uma região com maioria armênia que se separou do Azerbaijão.

Esta região, que recebe apoio político, militar e econômico da Armênia, afirma ter sido vítima de agressão, pois Baku tentou retomar o controle desta província desde a guerra de 1988-1994.

Desde então, esta república autoproclamada, embora sem reconhecimento internacional, nunca viveu em paz, com frequentes confrontos nas linhas de frente. De acordo com a especialista Olesya Vartanyan, do Grupo de Crise Internacional, o aumento das hostilidades é explicado desta vez, em particular, pela ausência de mediação internacional recente, e apesar da escalada representada pelos confrontos armados em julho entre a Armênia e o Azerbaijão.

"Esses combates causaram muita comoção e apelos à guerra que infelizmente não foram contidos pela mediação internacional", lamenta.

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