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Pandemia: a difícil missão de se adaptar ao desconhecido

Centenas de pessoas protestam em Madri contra medidas de restrição para conter a pandemia (27/09/2020).
Centenas de pessoas protestam em Madri contra medidas de restrição para conter a pandemia (27/09/2020). REUTERS - SERGIO PEREZ
Texto por: Patricia Moribe
5 min

Diante da pandemia que não dá trégua, os governos do mundo todo enfrentam dilemas de imposição de isolamentos e polêmicas sobre como lidar com a doença sem sacrificar a economia, ao mesmo tempo em que a população sofre, cobra ou se rebela contra as medidas.

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O primeiro-ministro francês, Jean Castex, se encontrou nesta terça-feira (29) com representantes do setor de hotelaria e restaurantes, que não se conforma com as novas restrições sanitárias.

Em Marselha, por exemplo, que está em zona de alerta máximo ao vírus, o governo determinou o fechamento completo do setor por quinze dias, gerando insatisfação das autoridades locais e indignação de donos dos estabelecimentos.

Em outras grandes cidades, como Paris, Lyon, Nice e Lille, que estão em alerta reforçado, os bares fecham às 22h. Já os restaurantes podem servir até 0h30. Os apelos por protestos se espalham pelas redes sociais. “Estamos furiosos. Não sei como é que só depois das dez da noite é que o vírus ataca”, declarou à RFI Pascal Ranger, que administra cerca de 40 bares na capital. Ele participou de uma manifestação na capital no domingo, em Paris.

“Não conhecemos a doença, estamos prontos para fazer um esforço, mas temos a impressão de que existem dois pesos e duas medidas. Você pode cruzar milhares de pessoas durante o dia em centros comerciais. Em cabines de loja, onde você tira a máscara para experimentar roupas”, argumenta Frantz Arthur, dono de um bar. “Por outro lado, o movimento de um bar começa às 22h. A partir desse horário é que realizamos a metade do nosso volume de negócios”, acrescenta. “E agora temos de fechar de uma hora para o outro. O tratamento que recebemos é diferente”.

“O mundo do esporte foi esquecido”

Nadia Korichi é professora de aikido hámais 15 anos,além de manter uma prática esportiva durante toda a vida. Ela atua no departamento de Essonne, que não está sujeito a restrições como em Paris e o centro esportivo onde trabalha continua aberto. Ela adotou regras rígidas de precaução sanitária desde a retomada do calendário escolar na França, há três semanas. “Todos precisam desinfetar mãos e pés antes de subir no tatame [superfície de combate de artes marciais] e usamos máscaras ou viseiras”.

Korichi lamenta o fato de o setor esportivo ter sido negligenciado durante a pandemia e principalmente nos meses de lockdown. “Investiu-se muito na profissionalização de pessoal e muita gente ficou sem recursos, sem informações de federações ou sindicatos”, diz. “O setor esportivo vai levar pelo menos dois a três anos para se recuperar, seu público vai ter adotado outros hábitos, vamos ter de nos adaptar”, acrescenta.

A personal trainer brasileira Elenice Bot trabalha em Paris. Durante o lockdown de março a maio, ela passou a dar aulas por vídeo, mas seu rendimento financeiro caiu pela metade. “O uso de máscara dificulta as atividades físicas, principalmente em exercícios que aceleram o metabolismo. O uso é importante, mas incomoda muito”, diz Elenice. Já como frequentadora de uma academia – que também foram fechadas a partir desta semana, assim como piscinas cobertas – ela percebeu que o número de clientes diminuiu drasticamente desde a reabertura dos espaços esportivos, em maio.

Um milhão de mortos

A triste marca de um milhão de mortos – oficiais – pela Covid-19 já foi ultrapassada. Mais de 33 milhões de pessoas já foram contaminadas pelo novo coronavírus mundo afora. Pouquíssimos países conseguiram deter a doença, com custos colaterais elevados. Na Europa, os governos fazem malabarismos e as medidas são diversas.

No Reino Unido, as restrições vão desde proibição de encontros entre familiares em algumas regiões até lockdowns de universidades. O fechamento dos tradicionais pubs e restaurantes às 22h também revoltou o setor, que vem protestando todos os sábados em Londres.

Na Bélgica, algumas imposições sanitárias vão ser abrandadas a partir da próxima quinta-feira (1). O uso de máscara, por exemplo, deixa de ser obrigatório em espaços exteriores, com exceções de áreas muito frequentadas e quando a distância de 1,5m entre as pessoas não puder ser espeitada. A máscara continua obrigatória nos transportes coletivos, em lojas e cinemas.

Corrente de beijos e abraços

Para comemorar, uma página no Facebook está organizando uma corrente gigante de beijos e abraços “em um lugar estratégico de Bruxelas”. Segundo os organizadores, o objetivo é simbólico: “mostrar que o vírus do medo pode ser vencido, lembrar que os elos humanos estão entre os valores mais importantes da sociedade, celebrar uma pequena vitória sobre o ambiente opressor dos últimos meses e exigir uma volta à normalidade antes do final do ano”.

Os organizadores também explicam que o gesto foi inspirado pelo movimento “HugsOverMasks” (abraços em vez de máscaras), iniciado há alguns meses no Canadá. Quem se inscrever na iniciativa vai receber um comunicado sobre o local exato da ação pelo menos 24 horas antes.

 

 

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