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Polícia prende dezenas de pessoas depois de protesto no dia da festa nacional chinesa

Polícia prende manifestantes durante protesto em Hong Kong.
Polícia prende manifestantes durante protesto em Hong Kong. AFP - MAY JAMES
Texto por: RFI
4 min

Pelo menos 60 pessoas foram detidas, nesta quinta-feira (1°), em uma zona comercial de Hong Kong  - anunciou a polícia local, alegando que o grupo violou a proibição de protestos na cidade por conta da festa nacional chinesa. O comunicado foi publicado na rede social Facebook.

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A China comemora o aniversário da criação da República Popular em 1º de outubro, um feriado que é lembrado com diversas festividades oficiais. Em Hong Kong, uma ex-colônia britânica, esta também é a ocasião para uma parte da população de expressar seu descontentamento em relação à política de Pequim, que tenta reduzir as garantias democráticas que integram o acordo de devolução à China de 1997.

Nesta quinta-feira, a chefe do Executivo local, Carrie Lam, participou ao lado de autoridades chinesas de uma cerimônia oficial no centro de exposições da ilha, escoltada pelas forças de segurança. Ao mesmo tempo, helicópteros sobrevoavam o território com bandeiras da China e de Hong Kong.

"Durante os últimos meses, um fato incontestável para todo o mundo é que nossa sociedade está de novo em paz", declarou Lam em seu discurso.  "A segurança nacional de nosso país foi protegida em Hong Kong e nossos cidadãos podem exercer novamente seus direitos e liberdades de acordo com as leis", completou.

Algumas horas depois, a polícia organizou uma operação no bairro comercial de Causeway Bay, cenário de violentos confrontos no ano passado, e anunciou que as pessoas estavam infringindo a lei sobre segurança nacional. En 2019, o 70º aniversário da fundação da República Popular da China terminou com violentos combates entre manifestantes e policiais.

Mas, neste ano, as autoridades proibiram qualquer manifestação, por razões de segurança e devido às medidas de combate à pandemia de coronavírus, que limitam as reuniões públicas a quatro pessoas no máximo. Lam, nomeada por Pequim, também se apoiou em julho na Covid-19 para adiar em um ano as eleições legislativas, que deveriam acontecer em setembro. As autoridades mobilizaram 6.000 agentes, o dobro do efetivo em caso de manifestações.

Ao longo do dia, grupos de ativistas conhecidos do movimento pró-democracia organizaram pequenas concentrações, com no máximo quatro pessoas. "Hoje, na China, os que desejam a liberdade são reprimidos e os que reprimem estão no poder", declarou o ativista Lee Cheuk-yan.

Vários manifestantes se reuniram diante do prédio que abriga os gabinetes do governo central chinês em Hong Kong. Na quarta-feira (30), o diretor do Escritório de Ligação (equivalente do Comitê de Segurança Nacional de Hong Kong), Luo Huining, pediu mais patriotismo e disse "que ter orgulho da pátria mãe é um dever."

"Hoje não é um dia de festa, é hora do mundo tomar consciência da maneira como o Partido Comunista cala as vozes de Hong Kong", declarou à imprensa Joshua Wong, uma das principais figuras do movimento pró-democracia, antes de ser retirado pela polícia de Causeway Bay.

10.000 detidos

Desde o início do ano é quase impossível organizar manifestações na cidade. Mais de 10.000 pessoas foram detidas por participação em protestos nos últimos 16 meses. A entrada em vigor da lei sobre segurança contribuiu para acabar com o movimento de contestação que abalou o território no ano passado. A lei reprime a secessão e a subversão, com penas particularmente severas. Criticada por muitos países ocidentais, a lei é considerada necessária por Pequim e Hong Kong para restaurar a estabilidade.

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