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Coreia do Norte revela míssil balístico gigante durante desfile em Pyongyang

O maior desfile militar da Coreia do Norte foi realizado no dia 10 de outubro, sem observação da distância física e uso de máscara.
O maior desfile militar da Coreia do Norte foi realizado no dia 10 de outubro, sem observação da distância física e uso de máscara. © Imagem cortesia da Agência de Notícias do Estado da Coreia do Norte.
Texto por: RFI
4 min

A Coreia do Norte apresentou, neste sábado (10), um míssil balístico intercontinental gigante (ICBM), durante um desfile militar em Pyongyang. Cada uma das partes que compõem a arma foi rebocada em um veículo de 11 eixos, segundo analistas militares que assistiram ao desfile. 

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O míssil colossal foi mostrado durante um gigantesco desfile militar, segundo imagens transmitidas pela televisão, com milhares de soldados sem máscara. O país  fechou suas fronteiras há oito meses para evitar a propagação do SARS-Cov-2. Segundo seu líder, Kim Jong -un, até agora, nenhum caso da Covid-19 foi notificado.

Em um discurso, Kim Jong Un comemorou que "ninguém" tenha contraído o coronavírus no país e afirmou que deseja "boa saúde a todas as pessoas do mundo que estão lutando contra os males deste terrível vírus". O ato faz parte das comemorações do 75º aniversário da fundação do Partido dos Trabalhadores no poder. 

A emissora pública KCTV transmitiu imagens de esquadrões de soldados armados e veículos blindados, alinhados nas ruas de Pyongyang, prontos para desfilar pela Praça Kim Il Sung, em imagens noturnas. Os participantes e o público presente não usavam máscaras, mas havia muito menos cidadãos do que de costume na praça.

A transmissão começou com a imagem de um cartaz de propaganda, apresentando três norte-coreanos com os símbolos da foice e do martelo e o slogan "A maior vitória do nosso grande partido".

Em geral, os desfiles norte-coreanos são encerrados com um míssil que o governo quer destacar em seu arsenal. Os observadores sempre estão atentos a essa apresentação, em busca de qualquer pista sobre o desenvolvimento de armas do Norte."Continuaremos a fortalecer nosso Exército, para fins de autodefesa e dissuasão", declarou o líder norte-coreano em seu discurso.

De acordo com um comunicado dos chefes de Estado-Maior sul-coreanos, o desfile teria ocorrido no início desta manhã, quando "sinais de uma parada militar com pessoas e equipamentos foram detectados" na Praça Kim Il Sung em Pyongyang. As agências de inteligência sul-coreana e americana "acompanharam de perto o evento", acrescentaram.

Arsenal nuclear  

Acredita-se que a Coreia do Norte continue desenvolvendo seu arsenal, supostamente para se proteger dos Estados Unidos, após o fracasso da cúpula de Hanói, com o presidente americano Donald Trump, em fevereiro do ano passado.

A comemoração do aniversário do Partido dos Trabalhadores significa que a Coreia do Norte "tem uma necessidade política e estratégica de exibir algo grande", interpretou Sung-yoon Lee, um professor coreano da Universidade Tufts, nos Estados Unidos. A demonstração de armas mais avançadas "marcará um grande passo à frente na capacidade real de ameaça de Pyongyang", assegurou.

Ao contrário de outras ocasiões, a imprensa estrangeira não foi autorizada a assistir ao desfile e, como muitas embaixadas estão fechadas por causa do coronavírus, quase não havia observadores estrangeiros na cidade.

A embaixada russa em Pyongyang postou uma mensagem em sua página do Facebook pedindo aos diplomatas e outros representantes internacionais que não "se aproximem ou tirem fotos" das comemorações.

Nova arma estratégica?

No final de dezembro de 2019, Kim ameaçou revelar uma "nova arma estratégica", mas analistas acreditavam que Pyongyang não arriscaria suas chances com Washington antes da próxima eleição presidencial americana, em 3 de novembro.

Ostentar suas armas estratégicas em um desfile militar "seria consistente com a promessa de Kim Jong Un", embora, por outro lado, não seja do interesse de "provocar os Estados Unidos testando uma arma estratégica", apontou Rachel Lee, ex-conselheira do governo americano sobre a Coreia do Norte.

Por sua vez, Harry Kazianis, do Centro de Interesses Nacionais, alertou para o risco de que a presença de milhares de pessoas se torne um "grande propagador" do coronavírus, se não forem tomadas "precauções extremas". O precário sistema de saúde neste país empobrecido teria dificuldade em lidar com um surto massivo, embora acredite que as medidas de prevenção pareçam improváveis.

(Com informações da AFP)

 

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