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Mali: quem são as lideranças jihadistas libertadas em troca de reféns?

Um acampamento de jihadistas arrependidos em Mopti, no centro do Mali.
Um acampamento de jihadistas arrependidos em Mopti, no centro do Mali. RFI
Texto por: RFI
3 min

Na semana passada, vários reféns do Mali e estrangeiros, entre eles a francesa Sophie Pétronin, foram colocados em liberdade em troca da liberação de várias centenas de jihadistas detidos. Entre eles constam nomes de combatentes que participaram de ataques mortais contra o exército do Mali e duas personalidades consideradas executivos do grupo GSIM, afiliado à al-Qaeda na região africana do Sahel.

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Para chegar às liberações de reféns, as discussões foram duras em torno de certos nomes, como o de Fawaz Ould Ahmed. Antes de ser preso em 2016, esse mauritano agiu como uma forte liderança do grupo al-Mourabitoune, ligado à al-Qaeda e fundado por Mokhtar Belmokhtar, conhecido pelo apelido de "Ibrahim N° 10", um dos terroristas presentes no atentado do restaurante La Terrasse em Bamako, em 2015. Antes na linha de frente dos soldados jihadistas, Fawaz Ould Ahmed subiu na hierarquia e se tornou o organizador de ataques como o de Biblos, em Sévaré, no Mali, alguns meses depois, e do Grand Bassam, na Costa do Marfim, no ano seguinte.

Durante o período em que ficou preso, Ahmed deu muitas informações. Entrevistado em 2018 por investigadores franceses, ele forneceu detalhes sobre o funcionamento de grupos jihadistas baseados no norte do Mali e ligados à al-Qaeda. Após sua libertação, ele será saudado por seus companheiros como herói ou traidor?

Outro nome mencionado com frequência desde a semana passada foi o de Mimi Ould Baba Ould Cheick. Preso no Mali em 2017 pelas forças francesas Barkhane, ele é acusado de ser um dos mentores de ataques na Costa do Marfim e em Ouagadougou, em Burkina Faso.

Por este último atentado, ele também foi indiciado oficialmente pela Justiça norte-americana no início do ano. Na verdade, um norte-americano foi morto neste ataque à capital Burkinabè em janeiro de 2016. Sua libertação teria sido um dos pontos de conflito que fez as negociações se estendessem até o último minuto.

Três listas no total

Negados por alguns, confirmados por outros, estas duas libertações estão envoltas em um clima de mistério. Os negociadores do Mali não as confirmam de forma alguma. Mas uma fonte do alto escalão que teve acesso às várias listas fornecidas pelos jihadistas - três no total - e nos bastidores das negociações é categórica: por discrição, os nomes de Fawaz Ould Ahmed e Mimi Ould Baba Ould Cheick não aparecem nas listas. Mas eles foram realmente liberados.

Em relação aos outros presos libertados, todas as fontes são unânimes: a maioria das pessoas que foram soltar das prisões do Mali não são lideranças importantes de grupos jihadistas. Ainda assim, acredita-se que alguns estejam envolvidos em ataques em grande escala contra ocidentais, mas também contra o exército do Mali. Como os ataques particularmente mortíferos de Nampala, em 2016, ou de Mondoro e Boulkessi, no ano passado. Atentados reivindicados pelo GISM, o Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos, vinculado à al-Qaeda.

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