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Líder nacionalista manobra para chegar ao poder após renúncia de presidente do Quirguistão

O presidente do Quirguistão, Sooronbai Jeenbekov, renunciou após dez dias de uma crise pós-eleitoral.
O presidente do Quirguistão, Sooronbai Jeenbekov, renunciou após dez dias de uma crise pós-eleitoral. AP - Yekaterina Shtukina
Texto por: RFI
4 min

O presidente do Quirguistão, Sooronbai Jeenbekov, cedeu à pressão de manifestantes nacionalistas e anunciou sua renúncia nesta quinta-feira (15), após dez dias de uma crise política aberta pela vitória de dois partidos governistas nas eleições legislativas de 4 de outubro. Poucas horas depois da demissão, o recém-eleito primeiro-ministro Sadyr Japirov declarou ter assumido a função presidencial.

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O Quirguistão atravessa uma grave crise política de consequências ainda imprecisas.

Os resultados da votação de 4 de outubro, marcada por acusações de fraude, geraram uma onda de manifestações violentas, que deixaram um morto e 1.200 feridos. Militantes nacionalistas invadiram edifícios públicos e ocuparam os imóveis por vários dias, obtendo do governo o cancelamento das eleições. Mas o ambiente de turbulência persistiu e, nesta quinta-feira, o presidente quirguiz anunciou sua renúncia.

"Não me aferro ao poder, não quero entrar para a história do Quirguistão como o presidente que provocou um derramamento de sangue ao atirar contra seus concidadãos. Por isso, decidi renunciar", declarou Sooronbai Jeenbekov, de acordo com um comunicado da presidência dessa ex-república soviética que faz fronteira com a China.

Na semana passada, o chefe de Estado havia prometido que deixaria o poder quando o país recuperasse a estabilidade. Depois, recuou e disse que aguardaria a organização de novas eleições legislativas. Ele recebeu o apoio da Rússia, principal potência na Ásia Central e que tem uma base militar no Quirguistão.

A situação nas ruas não melhorou e Jeenbekov decidiu renunciar, nesta quinta, pressionado pelo primeiro-ministro eleito pelo Parlamento, o nacionalista Sadyr Japarov, 51 anos, que exigia sua saída imediata do poder. O presidente explicou que a posse do novo chefe de governo não reduziu a virulência dos protestos, nem os pedidos de renúncia.

"Para mim, a paz no Quirguistão, a integridade do nosso país, a unidade do nosso povo e a paz em nossa sociedade são o mais importante", declarou o presidente. Ele pediu a "Japarov e outros políticos que retirem seus simpatizantes das ruas".

Presidência interina

Centenas de manifestantes, partidários do primeiro-ministro, permaneciam nas ruas na tarde de quinta-feira, para exigir a renúncia do presidente do Parlamento que, segundo a Constituição, deve governar o país de forma interina.

No fim do dia, Japarov anunciou que o chefe do Parlamento se recusava a assumir o cargo deixado vago por Jeenbekov. "Os poderes do presidente e do primeiro-ministro me foram transferidos", afirmou Japarov a seus simpatizantes.

Até a semana passada, Japarov estava na prisão por ter tomado um governador regional como refém. Ele foi libertado por seus adeptos e conseguiu a anulação de sua condenação.

Graças a seus partidários, que ocuparam as ruas desde o anúncio dos resultados das eleições e invadiram prédios públicos, ele conseguiu impor sua nomeação como primeiro-ministro, apesar das tentativas iniciais de Jeenbekov de impedir a designação.

O Quirguistão é o Estado mais plural, mas também o mais instável de todas as ex-repúblicas soviéticas da Ásia Central. Desde sua independência, o país registrou duas grandes revoltas, e três presidentes foram detidos ou obrigados a partir para o exílio. O país montanhoso também é um dos mais pobres da região.

Em 2010, a nação foi cenário de atos de violência étnica contra a minoria uzbeque no sul, o que provocou centenas de mortes.

(Com informações da AFP)

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