UE sanciona 6 colaboradores de Putin e evoca "consentimento" do Kremlin no envenenamento de Navalny

O alto representante da UE para as Relações Exteriores, o espanhol Josep Borrell, conversou por telefone com o chanceler russo, Sergei Lavrov, na quarta-feira, para discutir as repercussões do caso e a aplicação de sanções.
O alto representante da UE para as Relações Exteriores, o espanhol Josep Borrell, conversou por telefone com o chanceler russo, Sergei Lavrov, na quarta-feira, para discutir as repercussões do caso e a aplicação de sanções. AP - Jean-Christophe Verhaegen

A União Europeia (UE) anunciou oficialmente, nesta quinta-feira (15), a adoção de sanções contra seis colaboradores muito próximos do presidente russo, Vladimir Putin, pelo envenenamento do líder opositor Alexei Navalny com uma substância neurotóxica da mesma família do Novichok. "É razoável concluir que o envenenamento de Alexei Navalny só foi possível com o consentimento da administração presidencial", diz o comunicado da UE. Moscou nega as acusações.

Publicidade

A lista de funcionários afetados pelas sanções europeias inclui o chefe da Direção de Política Interna da Presidência russa, Andrei Iarine; o diretor do Serviço Federal de Segurança, Alexandre Bortnikov; dois vice-ministros da Defesa, Pavel Popov e Alexey Krivoruchko; um alto funcionário do Gabinete Executivo da Presidência, Serguei Kirienko; e o representante de Putin na Sibéria, Serguei Meniailo.

As penalidades, anunciadas durante a cúpula de líderes da UE em Bruxelas, incluem o congelamento de bens dos funcionários russos nos países do bloco e o veto à concessão de vistos de viagem para o território europeu.

Todos, de acordo com a UE, têm responsabilidade no envenenamento de Navalny, ajudaram as pessoas responsáveis por executar o ataque, ou deram consentimento à ação. Também serão aplicadas sanções contra o Instituto Estatal de Pesquisa Científica em Química Orgânica, com sede em Moscou.

Para a UE, o instituto não cumpriu suas obrigações em termos de destruição dos arsenais de armas químicas. No comunicado que divulgou a lista oficial de sanções, Bruxelas menciona o "uso de armas químicas na tentativa de assassinato" de Navalny.

Londres também se unirá às sanções europeias, informou o ministro das Relações Exteriores britânico, Dominic Raab. "O Reino Unido aplicará as sanções anunciadas pela UE contra seis pessoas e uma entidade envolvidas no envenenamento e na tentativa de assassinato de Navalny sob o regime europeu de sanções por uso de armas químicas", afirma o comunicado britânico.

O governo da Rússia reagiu e afirmou que as sanções anunciadas pela União Europeia prejudicam as relações entre Bruxelas e Moscou. "Com esta decisão, a UE prejudica as relações com nosso país", declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, antes de anunciar que a resposta de Moscou "será de acordo com os interesses da Rússia".

No mesmo dia do mal-estar de Navalny, em 20 de agosto, o presidente francês, Emmanuel Macron, e a chanceler alemã, Angela Merkel, se reuniram em Fort Brégançon, no sul da França, e pediram explicações à Rússia. Em seguida, os europeus exigiram avaliações científicas nacionais, por meio de amostras colhidas durante a hospitalização de Navalny, e também à Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq).

O relatório da OPAQ, divulgado na quarta-feira (14), confirmou que as amostras de sangue e urina do opositor continham um "inibidor da colinesterase", semelhante a dois produtos químicos da mesma família do Novichok.

Reação de Moscou

"Só podemos lamentar esta decisão que faz com que as relações entre a UE e Moscou dependam de uma pessoa que a Europa considera líder de uma oposição", disse Peskov, em referência Nalvany, grande inimigo do Kremlin. O porta-voz insistiu em que as sanções representam uma medida "inamistosa e sem nenhuma lógica".

Ferrenho crítico do governo Putin, o advogado Alexei Navalny, de 44 anos, adoeceu subitamente em 20 de agosto, pouco depois de embarcar em um voo na Sibéria, para onde havia viajado com o objetivo de participar da campanha da oposição nas eleições locais e regionais. Depois de permanecer internado por alguns dias em um hospital siberiano, Navalny foi transferido para o hospital Charité, em Berlim, onde continuou seu tratamento na capital da Alemanha.

Em uma decisão separada, a UE também anunciou sanções contra o empresário russo Yevgeny Prigozhin por suas atividades de desestabilização da paz na Líbia. Prigozhin é conhecido como o "cozinheiro de Putin", por possuir uma empresa de restaurantes que prestava serviços de alimentação ao Kremlin.

(Com informações da AFP)

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.