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Detentos são tratados “pior do que animais” na Coreia do Norte, denuncia ONG

ONG Human Rights Watch pede a países ocidentais que pressionem governo norte-coreano.
ONG Human Rights Watch pede a países ocidentais que pressionem governo norte-coreano. REUTERS/Damir Sagolj
Texto por: RFI
3 min

Tortura, humilhação e confissões forçadas são práticas comuns no sistema de justiça norte-coreano, que trata seus presos "pior do que os animais", de acordo com relatório da ONG Human Rights Watch (HRW) publicado nesta segunda-feira (19).

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A organização de direitos humanos com sede nos Estados Unidos entrevistou dezenas de ex-detidos, assim como autoridades da Coreia do Norte. O relatório revela as difíceis condições em centros de detenção norte-coreanos, onde castigos físicos são frequentes.

A Coreia do Norte é um país "fechado" e pouco se sabe sobre o funcionamento de seu sistema judiciário, sobre o qual recaem críticas de violações de direitos humanos em larga escala. Os entrevistados alegaram que a prisão preventiva é "particularmente dura" e que os detidos são maltratados, sendo muitas vezes espancados.

Tudo por uma confissão

“Os regulamentos dizem que os detidos não devem ser espancados, mas nós precisamos de uma confissão durante a investigação”, afirma um ex-policial. "Então você tem que bater neles para conseguir a confissão", admitiu.

Alguns ex-detentos disseram que foram forçados a se ajoelhar ou sentar com as pernas cruzadas, sem se mover, por até dezesseis horas seguidas, sendo que qualquer ação poderia resultar em punição.

Outros entrevistados dizem que foram espancados com varas, cintos de couro ou socos, e que tiveram que correr em volta do pátio da prisão mil vezes. “Lá você é tratado pior do que um animal, é isso que você acaba virando”, disse Yoon Young Cheol, um ex-presidiário.

Abusos sexuais

Mulheres entrevistadas disseram que foram abusadas sexualmente. Kim Sun Young, uma ex-comerciante de aproximadamente 50 anos e que fugiu da Coreia do Norte, em 2015, contou que foi estuprada por seu investigador em um centro de detenção. Outro policial a tocou durante o interrogatório, acrescentou ela, dizendo que não tinha forças para se opor.

Em seu relatório, o HRW apela a Pyongyang para acabar com a "endêmica e cruel tortura, bem como com o tratamento degradante e desumano em seus centros de detenção."

A ONG ainda pede à Coreia do Sul, aos Estados Unidos e a outros países membros da ONU que "pressionem o governo norte-coreano".

Em situações semelhantes, a Coreia do Norte tem afirmado respeitar os direitos humanos. O país se defende dizendo que as críticas da comunidade internacional representam uma campanha de difamação com o objetivo de "minar o sistema socialista sagrado".

 

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