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Polônia: presidente de extrema direita com Covid e degradação da epidemia não inibem manifestação pró-aborto

O presidente polonês, Andrzej Duda, da sigla de extrema direita Partido da Lei e Justiça (PiS).
O presidente polonês, Andrzej Duda, da sigla de extrema direita Partido da Lei e Justiça (PiS). AFP/Archivos
Texto por: RFI
4 min

O presidente de extrema direita da Polônia, Andrzej Duda, 48 anos, testou positivo para o coronavírus, indicou neste sábado (24) o secretário de Estado da presidência. Apesar da propagação vertiginosa da Covid-19 no país, manifestantes continuam indo às ruas protestar contra um endurecimento das condições de acesso ao aborto.

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Segundo o secretário de Estado da presidência, Blazej Spychalski, o presidente polonês "passa bem". Na segunda-feira, Andrzej Duda, que tem como principal prerrogativa representar o país no exterior, participou de um fórum de investimentos em Tallinn, capital da Estônia. No evento, ele se encontrou com a líder do país báltico, Kersti Kaljulaid, e com o presidente da Bulgária, Roumen Radev. A estoniana fez um teste que se revelou negativo, enquanto o búlgaro se colocou em quarentena por ter tido contato com outra pessoa infectada em seu país.

Ainda no início da semana, o líder do partido ultraconservador polonês Lei e Justiça (PiS) e vice-primeiro-ministro, Jaroslaw Kaczynski, divulgou que estava em isolamento preventivo, depois de ter tido contato com uma pessoa contaminada. Desde então, não foram anunciados detalhes sobre o estado de saúde de Kaczynski. 

A crise sanitária na Polônia se agrava com rapidez. O sistema público de saúde está à beira de um colapso pela afluência crescente de doentes nos hospitais. Na sexta-feira (23), diante da degradação do contexto epidêmico, o governo polonês classificou todo o país como "zona de alerta vermelho". O boletim diário divulgado pelas autoridades notificou 13.632 novos casos positivos em 24 horas.

Decisão judicial sobre o aborto causa revolta entre mulheres

Pelo terceiro dia consecutivo, apesar da deterioração da epidemia, novos protestos ocorreram neste sábado para denunciar as restrições de acesso ao aborto. Uma decisão adotada na quinta-feira pelo Tribunal Constitucional estendeu a proibição do aborto mesmo em casos de malformação fetal.

Cantando "liberdade, igualdade, direitos das mulheres", milhares de manifestantes desafiaram a interdição de reuniões públicas devido à epidemia e marcharam nas ruas de várias cidades polonesas. Nas faixas e cartazes, liam-se as expressões "vergonha" ou "guerra às mulheres" e pedidos para a convocação de um referendo sobre o assunto. Na noite de sexta-feira, 10 mil pessoas já tinham se manifestado contra a decisão do tribunal em Varsóvia.

O aborto tornou-se praticamente impossível neste país de maioria católica. A permanência da extrema direita no poder tem provocado um retrocesso cada vez maior em relação aos direitos das mulheres.

Restrições de circulação e hospitais de campanha

Com a aceleração dos contágios, os poloneses – que podem – são agora incentivados a adotar o teletrabalho. As escolas primárias estão parcialmente fechadas e recebem apenas alunos dos três primeiros anos do ensino fundamental. Estudantes mais velhos, do ensino médio e universitários praticam o ensino à distância. O governo também recomendou que os idosos com mais de 70 anos permaneçam em casa.

Restaurantes, cafés e bares só podem servir comida para viagem. Piscinas e clubes esportivos estão fechados. As reuniões são limitadas a cinco pessoas, os casamentos estão proibidos e o número de pessoas foi estritamente reduzido nos escritórios, meios de transporte e nas igrejas.

O estádio nacional da Polônia, em Varsóvia, está sendo transformado em um hospital de campanha para receber doentes. O governo está construindo mais instalações médicas em todo o país, já que a pandemia provoca uma saturação dos leitos disponíveis em todo o território nacional.

Com uma população de quase 38 milhões de habitantes, a Polônia registra 241.946 casos do coronavírus desde o início da epidemia, 4.351 mortes e 109.344 pacientes recuperados da doença.

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