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Países muçulmanos pedem boicote a produtos franceses após comentários de Macron

Recep Tayyip Erdogan e Emmanuel Macron durante uma coletiva de imprensa no Palácio do Eliseu, em janeiro de 2018.
Recep Tayyip Erdogan e Emmanuel Macron durante uma coletiva de imprensa no Palácio do Eliseu, em janeiro de 2018. © LUDOVIC MARIN / POOL / AFP
Texto por: RFI
6 min

O presidente turco Recep Tayyip Erdogan atacou novamente o presidente francês Emmanuel Macron neste domingo (25), cujos comentários recentes sobre o Islã geraram críticas, protestos e apelos por um boicote aos produtos franceses em países do mundo muçulmano, como o Qatar, o Kuwait, a Arábia Saudita e a Jordânia, além da Turquia. A França reagiu pedindo aos governos dos países envolvidos que "parem" com os apelos ao boicote e se manifestem, solicitando também que "garantam a segurança dos franceses que vivem em seus territórios".

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O próprio Macron tuitou logo depois da reação do Palácio do Eliseu ao boicote muçulmano: "Liberdade, nós a valorizamos; igualdade, nós garantimos; fraternidade, nós a vivemos com intensidade. Nada nos fará recuar, nunca." "Vamos continuar. Respeitamos todas as diferenças em um espírito de paz. Nunca aceitamos discursos de ódio e defendemos um debate razoável", acrescentou o presidente francês, também em árabe e inglês.

O presidente turco mais uma vez questionou a sanidade de Emmanuel Macron, essencialmente repetindo suas palavras do dia anterior. Erdogan já havia denunciado como uma provocação há duas semanas as declarações de Macron sobre o "separatismo islâmico" e a necessidade de "estruturar o Islã" na França, enquanto o chefe do Executivo francês apresentava seu futuro projeto de lei sobre este assunto.

O líder turco também criticou seu homólogo francês por ter prometido que a França continuaria a defender a liberdade de se fazer e publicar caricaturas do profeta Maomé. Na quarta-feira, Macron se referiu a elas durante a cerimônia de homenagem a Samuel Paty, o professor francês decapitado em um ataque islâmico por mostrar esses desenhos em sala de aula.

A promessa de defender a liberdade de expressão do chefe de Estado francês gerou uma enxurrada de críticas em muitos países de maioria muçulmana, de líderes políticos e religiosos, de autoridades eleitas, mas também de cidadãos comuns. Na Líbia, onde os comentários anteriores de Macron foram descritos como "provocativos" nas redes sociais, os usuários da internet convocaram manifestações no domingo na grande Praça dos Mártires, no centro de Trípoli. Mas menos de 70 pessoas responderam, incluindo mulheres e crianças. Mas fotos de Macron e bandeiras francesas foram pisoteadas e incendiadas.

Boicote, protestos, bandeiras e fotos queimadas

No sábado, cerca de 200 pessoas se reuniram em frente à residência do embaixador francês em Israel. E, na Faixa de Gaza, os manifestantes queimaram fotos do presidente francês. Na localidade tunisiana de El Kamour, às portas do Saara, um desfile anti-França reuniu algumas dezenas de pessoas no domingo, segundo imagens divulgadas por um coletivo local.

Como em outros países, as chamadas para boicotar os produtos franceses se espalharam nas redes sociais. Mas outros internautas tunisianos criticaram os meios usados ​​para defender o profeta, ridicularizaram as tentativas de boicote e defenderam a liberdade de expressão.

Também no Magrebe, o chefe do partido islâmico argelino Frente da Justiça e do Desenvolvimento, Abdallah Djaballah, apelou ao boicote aos produtos franceses e pediu a convocação do embaixador francês.

No Marrocos, o partido de oposição Istiqlal (centro-direita) denunciou "a persistência repetida na publicação de caricaturas insultando o profeta" Maomé, bem como as "declarações estigmatizantes do Islã que afetam o sentimento religioso comum dos muçulmanos do mundo, principalmente os da França ".

A associação marroquina Movimento pela Singularidade e Reforma, braço religioso do Partido da Justiça e Desenvolvimento, reafirmou "a sua condenação" a uma publicação "em nome de uma chamada liberdade de expressão". No Oriente Médio, um apelo simbólico ao boicote também ocorreu em Bab al-Hawa, um ponto de passagem de fronteira no noroeste da Síria, em mãos rebeldes e onde poucos produtos franceses chegam.

Manifestações foram organizadas "em várias regiões fora do controle do regime" de Damasco, disse ami Abdel Rahmane, diretor do Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), acrescentando que fotos de Macron foram queimadas.

 Na vizinha Jordânia, o ministro de Assuntos Islâmicos, Mohammed al-Khalayleh, disse que "ofender" os profetas "não é uma questão de liberdade pessoal, mas um crime que incentiva a violência".

No Líbano, a manifestação planejada em frente à embaixada da França no domingo não atraiu - como no dia anterior - ninguém, exceto dezenas de soldados e forças de controle de distúrbios.

"Insulto deliberado"

 O poderoso movimento xiita Hezbollah condenou "fortemente o insulto deliberado feito ao profeta", expressando em um comunicado de imprensa sua "rejeição à persistente posição francesa que consiste em encorajar esta afronta perigosa".

 No Kuwait, o Ministro das Relações Exteriores, Sheikh Ahmed Nasser al-Mohammed al-Sabah, "encontrou" a embaixadora francesa Anne-Claire Legendre. “Falaram do crime hediondo sofrido por um professor de francês”, informa um comunicado kuwaitiano, especificando que o ministro sublinhou ainda "a importância de pôr fim aos ataques às religiões monoteístas e aos profetas em certos discursos oficiais susceptíveis de agravar o ódio".

No Iraque, Rabaa Allah, a última nascida das facções armadas pró-Irã - e a mais poderosa -, afirmou estar pronta "para responder", sem maiores detalhes, após o que ela descreveu como "um insulto a um bilhão e meia pessoas".

 Recentemente, os pró-iranianos no Iraque atearam fogo a uma televisão por insultar o Islã e também à sede de um partido curdo em Bagdá. No Paquistão, finalmente, o primeiro-ministro Imran Khan também reagiu no domingo acusando Macron de "atacar o Islã".

 Ele "poderia ter preferido o apaziguamento ao invés de criar uma polarização e marginalização adicionais que inevitavelmente levam à radicalização", tuitou o premiê paquistanês.

Com informações da AFP

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