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BRICS: Bolsonaro pede união dos países-membros e faz críticas à OMS

Durante cúpula do BRICS, Jair Bolsonaro falou sobre a busca do Brasil pela sua própria vacina e a necessidade de um equilíbrio econômico mesmo em um período de grave crise sanitária.
Durante cúpula do BRICS, Jair Bolsonaro falou sobre a busca do Brasil pela sua própria vacina e a necessidade de um equilíbrio econômico mesmo em um período de grave crise sanitária. MARCOS CORREA VIA REUTERS - MARCOS CORREA
Texto por: RFI
4 min

Durante a cúpula dos líderes do BRICS organizada por Moscou e que aconteceu virtualmente nesta terça-feira (17), o presidente brasileiro Jair Bolsonaro falou sobre a busca do Brasil pela sua própria vacina e a necessidade de um equilíbrio econômico mesmo em um período de grave crise sanitária. O discurso do chefe de Estado também enfatizou a importância da articulação entre os países do bloco (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), principalmente para uma candidatura para um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.

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"A crise sanitária impôs grandes desafios à estabilidade internacional", declarou Bolsonaro. "O Brasil lutará para que prevaleça em um mundo pós pandemia um sistema internacional pautado pela liberdade, pela transparência e segurança. Para que isso se concretize, é fundamental defender a democracia e defender as prerrogativas soberanas dos países", acrescentou o presidente, que também fez críticas à Organização Mundial da Saúde (OMS).

O líder brasileiro optou por alinhar seu discurso às ideias do presidente americano Donald Trump, inclusive em suas críticas à China, e não escondeu sua aversão à relevância assumida por Pequim na geopolítica internacional, o que pode ganhar novas dimensões após a pandemia do coronavírus.

Já o presidente russo, Vladimir Putin, cujo país afirma ter desenvolvido vacinas eficazes contra o coronavírus, pediu que os países do grupo se unissem para produzi-las em massa, sem detalhar os termos comerciais da proposta.

"As vacinas russas existem, são eficazes e seguras. A questão que permanece é a de sua produção em massa", declarou Putin na cúpula online dos países integrantes do BRICS. “É importante aqui somar esforços para a produção em massa desses produtos”, acrescentou.

Publicação em revista médica

Putin revelou que seu país já assinou acordos com Brasil e Índia para realizar testes clínicos da vacina Sputnik V, a primeira anunciada pela Rússia e desenvolvida pelo centro de pesquisa Gamaleïa, de Moscou. O líder russo também destacou a existência de um acordo com a China e a Índia para “abrir centros de produção da nossa vacina nestes países, não só para as suas próprias necessidades, mas também para outros países”.

A Rússia afirma ter 92% de eficácia para sua vacina Sputnik V contra o coronavírus, atualmente na fase 3 de testes clínicos. Se Moscou até agora tem sido reservada em relação à documentação científica dessa vacina no contexto da corrida mundial pelo desenvolvimento de um tratamento eficaz contra a Covid-19, seus criadores garantiram no início da semana que a pesquisa seria publicada em breve "em uma das principais revistas médicas do mundo e avaliada por seus pares".

Vacinas desenvolvidas por outros laboratórios russos estão atualmente em fase de testes. Moscou apresentou à OMS no final de outubro um pedido de pré-qualificação da Sputnik V (nome em homenagem ao primeiro satélite artificial da história projetado pela União Soviética). Muitos altos funcionários russos afirmam já terem sido vacinados.

Durante seu discurso, o presidente chinês Xi Jinping abordou questões ambientais e se mostrou favorável ao Acordo de Paris. A fala do líder da China também incluiu a defesa à Organização das Nações Unidas (ONU) e destacou a importância dos esforços contra a pandemia da Covid-19. O líder chinês também defendeu o multilateralismo e a importância do direito internacional.

O BRIC foi fundado em 2006 e, em 2011, a África do Sul se integrou ao grupo, que passou a ser chamado de BRICS. Desde 2009, os líderes dos países se reúnem anualmente. O último encontro aconteceu em novembro de 2019, em Brasília.

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