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Para Cruz Vermelha, aquecimento global é ameaça maior que Covid-19

Um caminhão da Cruz Vermelha circula por Puerto Cabezas (Nicarágua), enquanto o furacão Iota avança ao longo da fronteira com Honduras.
Um caminhão da Cruz Vermelha circula por Puerto Cabezas (Nicarágua), enquanto o furacão Iota avança ao longo da fronteira com Honduras. AFP
Texto por: RFI
4 min

É "urgente" agir contra o aquecimento global, um desastre "de maior magnitude" que a Covid-19 e contra o qual não há vacina, alertou nesta terça-feira (17) a Cruz Vermelha Internacional. A mudança climática não espera que a Covid-19 seja controlada para continuar a ceifar vidas, observa a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha (FICV) em um relatório sobre desastres naturais em todo o mundo desde a década de 1960.

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De acordo com a organização com sede em Genebra, mais de cem desastres ocorreram entre março, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou a pandemia do coronavírus, e setembro, e mais de 50 milhões de pessoas foram afetadas. "Claro que a Covid está aqui, afeta nossas famílias, nossos amigos, nossos parentes (...) e é uma crise gravíssima que o mundo vive atualmente", reconheceu o secretário-geral do FICV, Jagan Chapagain, durante uma coletiva de imprensa.

Mas, "em nossa opinião, as mudanças climáticas terão um impacto muito maior na vida humana e na Terra no médio e longo prazo" do que a Covid-19, que já causou a morte de pelo menos 1,3 milhão de pessoas desde o fim de 2019, acrescentou Chapagain. Principalmente se levarmos em consideração que "esperamos ter uma vacina contra a Covid no próximo ano e, se tudo correr bem, em alguns anos devemos ser capazes de controlar seu impacto", continuou o secretário-geral, alertando: "Infelizmente, não há vacina contra as mudanças climáticas".

"São necessárias muito mais ações e investimentos sustentáveis para proteger verdadeiramente a vida humana na Terra", concluiu, convidando todas as pessoas a agirem. Atualmente, observa a FICV, a frequência e a intensidade dos eventos climáticos estão aumentando consideravelmente, com cada vez mais tempestades de categoria 4 ou 5, mais ondas de calor com recordes de temperatura e mais chuvas torrenciais, entre muitas outras situações extremas.

Somente em 2019 foram registrados 308 desastres em decorrência de fenômenos naturais, que causaram a morte de cerca de 24.400 pessoas em todo o mundo. Destes, 77% foram desastres climáticos ou meteorológicos. A ocorrência de ambos aumentou desde 1960 e cresceu quase 35% desde 1990.

Sobrevivência ameaçada

A proporção de catástrofes atribuídas a eventos extremos climáticos e meteorológicos também aumentou significativamente, de 76% nos anos 2000 para 83% nos anos 2010. Esses desastres extremos mataram mais de 410.000 pessoas na última década, a grande maioria em países de baixa e média renda. Ondas de calor, seguidas por tempestades, foram as mais mortais.

Diante deste desafio, que "literalmente ameaça nossa sobrevivência a longo prazo", a FICV chama a comunidade internacional a agir sem demora. A organização calcula que serão necessários cerca de US$ 50 bilhões por ano para responder às necessidades de adaptação que 50 países em desenvolvimento definiram para a próxima década. "Esse montante é irrisório diante da resposta global às repercussões econômicas da pandemia", compara a FICR.

Além disso, a organização lamenta que muitos países altamente vulneráveis às mudanças climáticas sejam deixados para trás e recebam apenas uma ajuda relativamente modesta. O relatório também destaca que nenhum dos 20 países mais vulneráveis ao aquecimento global e aos desastres climáticos e meteorológicos, como a Somália, estava entre os 20 principais beneficiários 'per capita' de fundos para se adaptar a essas situações.

(Com informações da AFP)

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