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Arábia Saudita espera melhorar sua imagem com organização da cúpula do G20

Cúpula do G20 também visa mostrar os avanços promovidos na Arábia Saudita pelo príncipe Mohammed bin Salman (à direita na imagem)
Cúpula do G20 também visa mostrar os avanços promovidos na Arábia Saudita pelo príncipe Mohammed bin Salman (à direita na imagem) AP - Amr Nabil
Texto por: Vivian Oswald
3 min

Maior exportador de petróleo do mundo, a Arábia Saudita se preparava para mais um evento grandioso até a chegada da pandemia do novo coronavírus. O país anfitrião da cúpula do G20 (que reúne as 20 maiores economias do mundo), neste fim de semana, investiu em obras de infraestutura e até em uma agenda social um pouco mais liberal, bem como na diversificação da economia.

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Vivian Oswald, correspondente da RFI em Londres

A organização do evento que começa nesse sábado (21) era a chance de fazer do encontro de dois dias entre os principais líderes mundiais uma vitrine para mostrar avanços promovidos pelo príncipe Mohammed bin Salman — como fizeram outros países nas edições anteriores. Mas a Covid-19 mudou tudo.

Os esforços acabaram se concentrando em levar toda a estrutura física para a esfera virtual. Até o tour de Riad — capital e centro financeiro saudita — que sediaria as reuniões foi adaptado. O passeio agora deve ser feito por um punhado de cliques a partir da página oficial do evento.

O novo formato digital certamente reduz a pressão pelo enorme aparato de segurança que costuma ser montado no entorno deste tipo de evento. A cada nova cúpula do G20 há sempre o temor de grandes protestos e violência. Em Londres, em 2009, milhares de pessoas foram às ruas questionar as políticas do pós-crise financeira internacional e a ajuda ao sistema bancário. Nos anos seguintes, foram grupos antiglobalização e anticapitalismo.

No entanto, o fato de o encontro ter se limitado a telas de computadores não impediu uma enxurrada de críticas de ativistas ao anfitrião, conhecido por uma extensa lista de violação de direitos humanos. Nos últimos dias, ONGs do mundo inteiro pediram boicote à cúpula e posições firmes de seus participantes em relação ao governo saudita.

Nesta sexta-feira (20), uma das perguntas direcionadas ao secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, era como ele pretendia tratar de direitos humanos durante o evento, quando o país anfitrião é mal visto justamente por violá-los. A resposta foi diplomática, mas clara: “Todos têm que respeitar os direitos humanos, inclusive o pais anfitrião”.

De acordo com a Anistia Internacional, os líderes do G20 presentes "deveriam responsabilizar as autoridades sauditas pela vergonhosa hipocrisia sobre os direitos das mulheres", afirma a entidade, que também ataca as políticas de gênero do país. “O empoderamento das mulheres tem destaque na agenda do G20 da Arábia Saudita, apesar de que os ativistas que lideraram as campanhas pelos direitos das mulheres definharem na prisão ou a serem julgados”.

As mulheres foram permitidas a dirigir no paíos em 2018. No mesmo ano, o assassinato de Jamal Khashoggi, ex-colunista do Washington Post, provocou um alvoroço global. Ele foi morto teve o corpo desmembrado no consulado saudita de Istambul.

 

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